Nas margens do tempo, onde o passado e o presente se encontram em um abraço eterno, existe um homem. Um homem que viveu mais do que a maioria, que respirou mais do que a média, que amou mais do que a maioria ousa. Um homem que, em meio à sua existência longa e cheia, agora se vê perseguido por ecos de um passado que ele tentou deixar para trás.
O cheiro de café da manhã, o sussurro do vento através das cortinas, o sabor de um beijo roubado sob a luz da lua – essas são as lembranças que o assombram. Não são amores que ele deseja relembrar, nem momentos que ele anseia reviver. São fantasmas que ele deseja exorcizar, mas que se recusam a serem esquecidos.
“Não há mais nenhum ás na minha manga para jogar”, ele suspira, olhando para o vazio. O jogo da vida, que ele jogou com paixão e coragem, chegou ao seu fim. Ele jogou todas as suas cartas, cada uma com um pedaço de seu coração, cada uma com um pedaço de sua alma. E agora, o tabuleiro está vazio, as cartas foram todas jogadas.
O vencedor leva tudo, dizem. Mas quem é o vencedor nesse jogo de vida? O homem pergunta-se. Ele olha para trás, para o campo de batalha que foi sua existência, e vê apenas o silêncio. O vencedor, quem quer que seja, já se foi, deixando para trás apenas o eco de sua risada triunfante.
E o perdedor? O perdedor fica pequeno, uma sombra esquecida no canto da memória. O perdedor, que deu tudo, que amou sem reservas, que viveu com intensidade, agora é apenas uma nota de rodapé na história. O perdedor, que uma vez foi um homem, agora é apenas um eco, um sussurro, um cheiro de café da manhã, um sabor de beijo roubado.
Mas, mesmo na derrota, há uma beleza. Mesmo na perda, há uma dignidade. Pois o homem que perdeu, perdeu com honra. Ele deu tudo, amou tudo, viveu tudo. E, no final, quando o jogo acabou, ele não se arrependeu. Pois ele jogou com o coração, ele jogou com a alma, ele jogou com tudo que tinha.
E assim, o homem se senta, sozinho, no silêncio do fim do jogo. Ele sorri, um sorriso triste, mas sem arrependimento. Pois ele sabe que, mesmo na derrota, ele viveu. E isso, para ele, é o suficiente.