
Por um articulista do povo, para o povo
Imagine um Brasil onde o prefeito, o governador ou o presidente só tem uma chance de mostrar a que veio. Sem segunda temporada, sem plano de reeleição, sem a preocupação constante com votos futuros. Essa é a ideia central da proposta de emenda à Constituição (PEC) que está sendo discutida no Senado e que pode mudar profundamente a maneira como elegemos nossos governantes.
A proposta, aprovada recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), acaba com a possibilidade de reeleição para cargos do Executivo — ou seja, nada de dois mandatos seguidos para prefeitos, governadores e presidentes da República. Em troca, o tempo de mandato passaria de quatro para cinco anos.
O que muda, na prática?
Se a PEC passar no Congresso, prefeitos eleitos a partir de 2028 e governadores e presidentes a partir de 2030 só poderão governar uma vez. Além disso, todas as eleições seriam realizadas no mesmo ano, a cada cinco anos, a partir de 2034. Hoje, temos eleições a cada dois anos — primeiro para prefeito e vereador, depois para deputado, governador, senador e presidente. Essa mudança reduziria os gastos com eleições e ajudaria a organizar melhor o planejamento do país.
A favor: menos politicagem, mais gestão
Políticos da direita e da esquerda apoiam a ideia. Segundo eles, o modelo atual estimula decisões pensadas apenas para agradar eleitores e garantir a reeleição. Muitos gestores passam o primeiro mandato inteiro mais preocupados em aparecer bem na foto do que em fazer reformas difíceis, porém necessárias. Acabar com a reeleição, para eles, significaria ter um governo mais corajoso, focado em resultados e menos em campanhas futuras.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios também vê com bons olhos a proposta. Ele acredita que, ao alinhar os mandatos em todas as esferas (municipal, estadual e federal), haveria mais sincronia entre os planos de governo e menos desperdício de dinheiro público.
E os contras?
Nem todo mundo está convencido. Especialistas apontam que, ao limitar o tempo de um bom gestor a apenas cinco anos, o país pode perder líderes eficientes antes que terminem projetos importantes. Além disso, sem a pressão da reeleição, alguns governantes podem se sentir menos comprometidos com a opinião pública, agindo com menos responsabilidade.
Outro ponto delicado é o risco de retrocesso democrático. A reeleição, quando bem aplicada, é uma ferramenta de escolha do povo. Se um governo é bom, por que não dar a ele mais tempo?
Mas… é hora de mudar?
A reeleição foi criada em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e desde então tem sido alvo de críticas. O modelo atual dá margem para abusos do poder, uso da máquina pública para fins eleitorais e campanhas eternas. Com a mudança, talvez possamos voltar a ver a política como um ciclo de serviço e não como carreira vitalícia.
No fundo, o debate é sobre qual tipo de liderança queremos no país: aquela que governa olhando para o futuro ou aquela que governa olhando para a próxima eleição?
A PEC do fim da reeleição pode não ser perfeita, mas levanta uma discussão urgente: o Brasil precisa de reformas que fortaleçam a democracia e o serviço público. E isso começa com algo simples: governar bem e sair de cena com dignidade.
Se você acha que está na hora de dar um basta na política do “me reeleja que eu faço”, talvez essa seja a mudança que estávamos esperando. Afinal, cinco anos podem ser pouco para um mau gestor… mas são mais que suficientes para quem veio para fazer a diferença.
E você? Acha justo que um político só possa governar uma vez? Ou preferiria ter a chance de mantê-lo, caso ele faça um bom trabalho? O debate está só começando.
Padre Carlos




