Política e Resenha

ARTIGO – Alckmin hospitalizado: o sintoma de um sistema que também precisa de tratamento (Padre Carlos)

 

 

A internação do vice-presidente Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (29), por conta de uma gastroenterite aguda, acendeu o alerta não apenas no campo da saúde, mas também na esfera simbólica da política brasileira. Quando um dos principais nomes da República é hospitalizado com sintomas como enjoos e dores abdominais, percebemos que o corpo do poder também fala — e, por vezes, adoece.

Atendido no hospital Sírio-Libanês, referência em medicina no país, Alckmin respondeu bem ao tratamento e já se encontra em casa, sob acompanhamento médico. Mas o episódio não pode passar como mero boletim médico. É uma oportunidade para refletirmos sobre o quanto a pressão e o ritmo da política nacional impactam na saúde de seus protagonistas — e o quanto isso se distancia da realidade do brasileiro comum, que sofre para conseguir um leito hospitalar ou uma consulta em tempo hábil.

A gastroenterite, em sua origem biológica, é uma inflamação do trato digestivo, muitas vezes ligada à alimentação e ao estresse. Já no campo metafórico, representa bem a indigestão institucional que vivemos: decisões difíceis, crises sucessivas, ruídos constantes entre os Poderes. É possível que o corpo de Alckmin esteja apenas traduzindo, em sintomas físicos, o ambiente tenso que Brasília respira.

A saúde dos líderes importa — não apenas por serem eles gestores do bem comum, mas porque, quando adoecem, nos lembram que não são máquinas, e sim humanos. Humanos que precisam de descanso, equilíbrio e cuidado. E essa percepção deveria se estender a toda a população brasileira, que enfrenta cotidianamente os desafios de um sistema de saúde pública fragilizado, muitas vezes sem a sorte ou os recursos que cercam os figurões da política.

A notícia da hospitalização de Geraldo Alckmin não deve ser tratada como um detalhe menor, mas como um chamado à empatia, à equidade e à responsabilidade com todos os corpos que compõem essa nação adoecida — física, política e moralmente.