
Por Padre Carlos
A fala do governador Jerônimo Rodrigues (PT), durante a entrega de equipamentos de saúde em Vitória da Conquista, não foi apenas inoportuna — foi, sobretudo, antirrepublicana. Em um momento que deveria ser de celebração pelo reforço à rede hospitalar da cidade, o chefe do Executivo estadual preferiu fazer política miúda, usando o palanque para alfinetar a prefeita Sheila Lemos (UB), que, ao contrário do que se insinuou, não foi omissa: tinha compromissos previamente agendados e não abandonou suas responsabilidades com o município.
A ausência da gestora não deveria ter sido usada como pretexto para gerar constrangimento público. O governador poderia — e deveria — ter se portado como estadista. Afinal, quando um governante entrega equipamentos de UTI ou viaturas policiais, ele o faz com recursos públicos, para um povo que não tem partido, mas tem necessidades urgentes. O que se espera, portanto, é um gesto de grandeza, não de revanche.
Ao declarar que as ações do Estado seriam feitas “com ou sem a prefeita”, Jerônimo Rodrigues perdeu a chance de mostrar maturidade política. Sua fala soou mais como uma provocação do que como um gesto de cooperação federativa. E ainda que se argumente sobre diferenças ideológicas, cabe aos líderes públicos atuarem acima das disputas eleitorais quando se trata do bem comum.
A tentativa de expor uma autoridade local diante de seus próprios munícipes — em um momento de relevância como a entrega de equipamentos de saúde — fere o espírito democrático e republicano que deveria nortear a relação entre os entes federativos. É papel do governador dialogar, construir pontes e demonstrar que o interesse público está acima das vaidades e rivalidades políticas.
É possível fazer oposição com civilidade. É possível divergir com respeito. Mas é inadmissível instrumentalizar políticas públicas para gerar desgaste a um adversário político, especialmente quando isso ocorre em um momento que deveria simbolizar união e cuidado com a população.
Faltou ao governador o gesto republicano que se espera de quem ocupa um cargo tão importante: agir com respeito institucional, sem transformar o palanque do Estado em um ringue político. Porque, no fim, quem perde com esse tipo de postura não é a prefeita — é o povo.




