
Por Padre Carlos
Era uma manhã de sábado como outra qualquer — o sol ainda preguiçoso e o ritmo da cidade começando a despertar — quando quatro figuras se reuniram para costurar o que pode se tornar um dos momentos mais simbólicos das celebrações de Vitória da Conquista: uma exposição que transforma a cidade em personagem, memória em obra, e história em sentimento.
Na sala, estavam Ivan Cordeiro, presidente da Câmara Municipal, o jornalista Fábio Sena Secretaria de Comunicação da Câmara (Secom) Edgard Larry, secretário de Educação, e o artista plástico Silvio Jessé. Mas não era uma simples reunião. Era quase como se a cidade tivesse sentado à mesa junto com eles — sua alma, seus becos antigos, suas janelas de madeira, suas fotografias amareladas e seus silêncios. O assunto? Uma exposição que homenageia Vitória da Conquista em seu aniversário. O resultado? Um plano para fazer da arte um espelho vivo da nossa identidade.
Silvio Jessé não é só artista. Ele é artesão do tempo. Pega fotografias antigas — aquelas que nossos avós guardavam em caixas de sapato — e as transforma em janelas emocionais para o passado. Suas obras não apenas retratam a cidade: elas nos fazem ouvi-la, senti-la, quase tocar as vozes que se perderam no tempo.
A proposta é simples e poderosa: ocupar o Memorial Câmara com suas criações em novembro, mês do aniversário da cidade, e estender essa homenagem ao Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima — o mesmo espaço onde será entregue o título de cidadão conquistense, uma das maiores honrarias do município. Mas há algo nessa iniciativa que vai muito além da estética ou da celebração.
Trata-se de devolver à cidade sua própria narrativa. De permitir que as pessoas caminhem por corredores onde a arte conta histórias que os livros esquecem, onde os rostos estampados nas telas lembram que Conquista não se fez sozinha — ela foi moldada por mãos invisíveis, passos anônimos e sonhos de barro e poeira.
Ivan Cordeiro foi direto ao ponto: “Queremos celebrar nossa história e homenagear quem mantém viva nossa cultura.” E ali estava o fio que amarra tudo: reconhecer que uma cidade sem memória é uma cidade sem espelho — sem rosto, sem rumo, sem alma.
Já Edgard Larry, com sua sensibilidade educadora, lembrou que a arte tem o poder de conectar o passado ao presente. E isso é mais do que bonito. É fundamental. Em um tempo onde o imediatismo engole tudo, parar para lembrar é um ato revolucionário. E fazer isso com arte é quase mágico.
Essa exposição, se realizada como sonhada, não será apenas uma mostra. Será um reencontro. Vitória da Conquista, ao passear por seus próprios retratos, vai se reconhecer em cada traço, cada cor, cada sombra. Vai se emocionar. Vai se orgulhar.
E talvez, quem sabe, os visitantes saiam dali com uma nova pergunta na cabeça: que cidade estamos construindo hoje, para que um dia, no futuro, também mereça ser eternizada em arte?
Vitória da Conquista, prepare-se. Em novembro, você vai se olhar no espelho da memória — e, ao que tudo indica, vai gostar do que verá.




