Política e Resenha

ARTIGO – Quando a arte encontra suas raízes: o sertão em cor e poesia (Ivan Cordeiro)

 

 

 

 

 

Ontem vivi um daqueles momentos que renovam a fé no poder transformador da cultura: um encontro inesquecível com duas das figuras mais simbólicas de Vitória da Conquista — o poeta e declamador Edgard Larry, que também desempenha com maestria sua função como Secretário de Educação, e o artista plástico Sílvio Jessé, cuja obra é um tributo vivo ao sertão.

A arte de Sílvio Jessé transcende o quadro. Suas pinceladas são como versos visuais que resgatam memórias e identidades esquecidas. Ao pintar o sertão — de Bate-pé a Canudos, de Catingal à Serra do Periperi — ele não apenas retrata paisagens, mas desperta consciências. É uma arte que pulsa com a alma da terra, que canta os saberes populares, a religiosidade, a resistência e a beleza oculta do nosso povo.

E é com imenso orgulho que anunciamos: estamos organizando uma grande exposição de Sílvio Jessé para novembro, em celebração ao aniversário de Vitória da Conquista. A mostra acontecerá no Memorial Câmara e será mais do que uma exposição — será um verdadeiro encontro entre o povo e sua história, uma ode ao sertão conquistense em forma de cor, forma e sentimento.

A arte tem o poder de restaurar vínculos. De curar o invisível. De fazer do ordinário o extraordinário. Saí desse encontro com a certeza de que essa exposição será uma semente poderosa: de memória, de orgulho, de transformação.

Como canta o poema “Auto da Gamela”, de Carlos Jeohvah e Esechias Araújo Lima:

“É por isso que eu louvo a gamela

que esteve comigo todos os dias da vida;

que não viu meu descanso, mas que viu minha lida,

no fogão, na casa e na fonte que eu tive com ela:”

Que essa exposição seja essa gamela — nutritiva, generosa, cotidiana — alimentando a alma de Conquista com arte, história e pertencimento. Que ela convoque o povo a se reconhecer nas telas, como quem se olha no espelho e, enfim, se encontra.