
Clarice Lispector nos soprou uma verdade antiga, como o murmúrio do vento nas folhas: não é preciso ser uma fortaleza inabalável. A gente tem que respirar nossas fraquezas , deixar que elas nos habitem, porque também fazem parte de quem somos. A vida não é um fio esticado, reto e sem fim. É um emaranhado de altos e baixos, um caminho cheio de curvas, e é nesses desvios que a gente encontra o verdadeiro mapa da alma.
São esses momentos, às vezes tão difíceis de tragar, que nos ensinam que a vida é assim mesmo: uma sucessão de descobertas, de tropeços e de voos. E o segredo não está em evitar as quedas, mas em saber atravessá-las.
A Poesia da Imperfeição
O importante é não parar nessa curva . É preciso seguir adiante, com o coração aberto e a fé na força que pulsa dentro de nós. Mas, atenção: essa jornada não nega a sua fragilidade, a sua fraqueza . Não. Pelo contrário, ela a abraça, pois ela também é um pedaço seu. E é aí que mora a beleza mais pura da vida.
Somos um rio que flui, ora calmo, ora em corredeira. Somos essa tapeçaria de sentimentos, de luzes e sombras, de escolhas que se desdobram a cada passo. Ser essa multiplicidade de estados emocionais é o que nos faz único, ou o que nos faz reais. É a nossa canção mais profunda, a melodia da nossa própria existência.
Padre Carlos
Que parte dessa melodia, hoje, toca mais forte em você?




