Política e Resenha

A hora da justiça: Zambelli, a foragida, e o recado da Itália ao bolsonarismo impune

 

Por Padre Carlos

A prisão de Carla Zambelli na Itália deixou de ser uma hipótese remota e tornou-se, segundo palavras do embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca, uma questão de tempo. “A qualquer momento” — essa é a expressão que ecoa como uma senha da Justiça cruzando fronteiras, revelando que, no jogo democrático, até os mais barulhentos e outrora blindados representantes do bolsonarismo radical não são imunes às consequências de seus atos.

Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e incluída na lista vermelha da Interpol, é hoje oficialmente uma foragida. A deputada, que já empunhou armas nas ruas e espalhou desinformação nas redes, agora experimenta o outro lado da lei — aquele que tenta desmoralizar há anos, sob a retórica de uma suposta cruzada moral.

A previsão de sua iminente detenção em território italiano sinaliza algo maior que um simples cumprimento de mandado internacional. Ela representa um símbolo: o de que a era da impunidade explícita de figuras que atentaram contra as instituições democráticas brasileiras começa a ruir — ainda que lentamente.

A fuga de Zambelli — em si, uma confissão de culpa para a história — expõe a fragilidade de um projeto político que se vendeu como “patriótico” enquanto minava a própria pátria. Ela fugiu como fugitivos comuns: não por perseguição política, mas por temer a aplicação da lei. E aqui é importante sublinhar: não se trata de divergência ideológica ou combate de narrativas, mas de fatos, provas, condenações e decisões de um Supremo Tribunal legalmente constituído.

A colaboração das autoridades italianas, acatando prontamente o pedido brasileiro, também merece destaque. Num mundo onde o autoritarismo avança sorrateiramente sob a máscara de populismos digitais, a atitude da Itália é um alento: mostra que a comunidade internacional ainda sabe distinguir justiça de teatro político.

A detenção de Zambelli, quando ocorrer — e que ocorra — não será um espetáculo de vingança, mas sim um capítulo importante do processo civilizatório que o Brasil precisa atravessar: o da responsabilização daqueles que acreditaram estar acima da lei em nome de um projeto antidemocrático.

Zambelli, que tanto gritou por “liberdade”, agora a teme. Mas liberdade sem responsabilidade é licença para o caos — e foi justamente isso que o bolsonarismo tentou instalar no país.

Se há um ensinamento a extrair deste episódio, é que a democracia brasileira ainda respira. E que seu fôlego vem justamente da sua capacidade de aplicar justiça — mesmo contra aqueles que, dentro de suas instituições, tentaram destruí-la por dentro.

O futuro dirá se esta será uma exceção ou o início de uma era em que a lei, enfim, voltará a alcançar os que dela abusaram. Mas por ora, que Carla Zambelli seja presa. E que seja tratada como aquilo que é hoje: uma criminosa condenada e uma foragida da Justiça. Nem mais, nem menos.