
O cenário político baiano para as eleições de 2026 começa a esquentar, e o epicentro do atrito está na base governista. O PSD, partido com o maior número de prefeituras no estado, vem sendo ignorado nas articulações para a chapa majoritária. Enquanto o PT acena para um projeto de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, e cogita nomes como Jaques Wagner e Rui Costa para o Senado, o PSD assiste a tudo do lado de fora — e já começa a reagir.
Alex da Piatã, deputado estadual, deu o recado: o partido ainda não foi consultado formalmente. Quem conduz o PSD é Otto Alencar, e até agora o silêncio do Palácio de Ondina preocupa. “Não houve conversa, não há definição”, disse o parlamentar, sinalizando que a ausência de diálogo pode custar caro.
A hegemonia política do PT, se mal conduzida, pode transformar aliados em opositores. A força do PSD nas prefeituras faz dele o fiel da balança em qualquer eleição majoritária na Bahia. Ignorar isso é um erro estratégico que pode comprometer o projeto de continuidade do petismo no estado.
Rui Costa pode até sonhar com o Senado, mas será que há espaço para dois senadores na mesma chapa governista, sem causar fissuras? Será que a reeleição de Jerônimo é garantida sem um pacto sólido com o PSD? Em tempos de polarização e desgaste da imagem do governo federal, o “fator Lula” já não tem o mesmo peso.
Se o PT insistir no caminho da imposição, poderá dar um tiro no pé. A maturidade política exige diálogo, e a responsabilidade da hegemonia passa por reconhecer a força dos aliados. O cenário político baiano está em ebulição, e quem não souber ouvir, poderá acabar falando sozinho em 2026.




