No dia 17 de junho de 2025, a Polícia Federal concluiu o inquérito conhecido como “Abin paralela” e indiciou o ex‑presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos Bolsonaro e o deputado Alexandre Ramagem por envolvimento num escândalo de espionagem política comandada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) . A investigação revelou que pelo menos 35 pessoas foram indiciadas, acusadas de usar o sistema israelense FirstMile para invadir celulares e computadores de ministros do STF, jornalistas e adversários políticos
Segundo a PF, Ramagem, ex‑diretor da Abin, foi o mentor do esquema, enquanto Carlos Bolsonaro liderava o chamado “gabinete do ódio”, usando informações sigilosas para atacar opositores nas redes . Jair Bolsonaro teria conhecimento e se beneficiado das ações, mas a defesa alega perseguição política, denunciando a “PF do Lula” como instrumento de retaliação às eleições de 2026 .
Este caso representa uma grave ameaça à democracia brasileira. O uso de estruturas de inteligência do Estado para monitorar políticos, jornalistas e autoridades do Judiciário fragiliza o princípio da separação dos poderes, viola a privacidade dos cidadãos e alimenta a sensação de insegurança estatal. É uma clara afronta ao Estado Democrático de Direito.
Para reverter esse panorama, são necessárias medidas concretas de transparência institucional: aprovar uma lei que regule o uso de sistemas de geolocalização pelo Estado, criar um órgão independente de fiscalização dessas operações, e garantir o controle do Congresso e do STF sobre as ações da Abin. Só assim se evita que o que aconteceu com a “Abin paralela” se torne o padrão em governos futuros.
A sociedade precisa se manter vigilante. Exigir que a PGR apresente denúncia fundamentada ao STF, acompanhar o julgamento e mobilizar instituições como OAB, ABI e Fenaj para reforçar a defesa da liberdade de imprensa e do Judiciário. É fundamental reconstruir a confiança nas instituições e reafirmar que o poder público serve à população — e não o inverso.





