Política e Resenha

ARTIGO – Jequié, entre o abandono do Estado e o caos da violência urbana

 

(Padre Carlos)

No coração do sudoeste baiano, Jequié clama por socorro. O recente assassinato de um casal dentro de um depósito de bebidas, no bairro Joaquim Romão, escancara a que ponto chegou a insegurança pública na cidade. A execução sumária, em plena luz do dia, não é um caso isolado — é o reflexo de uma realidade crônica que se impõe, há anos, sem solução concreta.

A Bahia, governada pelo PT há quase duas décadas, aparece sistematicamente no topo dos rankings de homicídios do Brasil. E não adianta esconder isso atrás de discursos ideológicos. O que se vê é uma política de segurança pública contraditória, que mistura retórica progressista com práticas repressivas, e ainda assim falha em proteger o cidadão.

A esquerda que chegou ao poder com promessas de paz, justiça e investimento social, transformou-se em uma gestora fria, dominada pela lógica da estatística e da publicidade oficial. A violência em Jequié — e em tantas outras cidades baianas — é fruto de uma ausência estrutural do Estado: falta inteligência policial, falta prevenção, faltam políticas públicas efetivas nos bairros mais vulneráveis.

A juventude negra segue sendo a maior vítima. As comunidades vivem sob o domínio do medo. A PM chega depois. As delegacias estão sucateadas. A Defensoria não dá conta. E o Judiciário caminha a passos lentos.

A pergunta é dura, mas inevitável: o PT perdeu o controle da segurança na Bahia? Ou pior: será que algum dia teve?

A escalada da violência em Jequié deve ser vista como um sinal de alerta para todo o estado. Não se trata de culpar apenas partidos — trata-se de reconhecer que há um modelo de gestão da segurança que faliu, e que a sociedade baiana precisa exigir uma nova abordagem. Urgente, eficaz e humana. Porque nenhuma ideologia justifica o abandono da vida.