Política e Resenha

ARTIGO – Espionagem, poder e manipulação: Carlos Bolsonaro no centro do escândalo da Abin Paralela

 

(Padre Carlos)

A bomba explodiu: Carlos Bolsonaro é apontado como o cérebro por trás da Abin Paralela, um sistema clandestino de espionagem operado a partir do coração do Estado. Segundo a Polícia Federal, ele idealizou, coordenou e se beneficiou diretamente da estrutura que transformou a Agência Brasileira de Inteligência numa máquina de vigilância contra opositores, críticos e até servidores públicos.

É a confirmação oficial de que, durante os anos do governo Bolsonaro, a lógica de guerra cultural e paranoia conspiratória não ficou restrita às redes sociais. Ela penetrou nas instituições. Transformou a máquina do Estado num bunker de combate ideológico, onde a legalidade era atropelada por interesses pessoais.

Essa operação ilegal, revelada pela PF e corroborada por diversos elementos de prova, mostra que o bolsonarismo não apenas ensaiou o autoritarismo: ele o praticou na surdina, nos porões da República. Carlos Bolsonaro, que nunca ocupou cargo no governo federal, teve acesso privilegiado a informações sensíveis e se envolveu diretamente na articulação dessa espionagem institucional.

A pergunta inevitável é: quantas decisões foram tomadas com base nessas informações ilegais? Quantas reputações foram destruídas? Quantos direitos foram violados?

O Brasil precisa reagir. É preciso garantir que crimes de Estado não sejam tratados como erros políticos. E que Carlos Bolsonaro e todos os envolvidos sejam responsabilizados nos rigores da lei.

Mais que um escândalo político, estamos diante de um divisor de águas. Ou consolidamos o Estado de Direito com transparência, responsabilização e justiça, ou continuaremos reféns de oligarquias familiares com sede de poder e desprezo pelas regras democráticas.