
(Padre Carlos)
Brasília tremeu. Não foi terremoto. Foi a acareação explosiva entre o general Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, no coração do Supremo Tribunal Federal. Frente a frente, como num duelo do velho oeste, os dois pilares da chamada “trama golpista” do bolsonarismo jogaram no ventilador versões que mais parecem roteiro de série política da Netflix — só que com risco real de cadeia.
Logo cedo, o palco estava montado: o general de quatro estrelas, altivo, firme, tentando manter a fleuma de um homem do Exército. De outro lado, Mauro Cid, o ex-ajudante de ordens, pivô de uma delação que tem tirado o sono de meio QG da tropa bolsonarista. No meio, Alexandre de Moraes, de toga e sobrancelha arqueada, pronto para cortar qualquer bravata no ato.
O advogado do general foi direto como um soco no queixo: “Cid mente e mente o tempo todo!”. Disse ainda que o ex-ajudante “abaixou a cabeça” quando foi confrontado. A cena foi descrita como um momento de humilhação digna de reality show. E mais: Juca, o defensor de Braga Netto, quer anular toda a delação. Palavras dele: “contradições latentes, uma atrás da outra”.
Mas Cid não está sozinho. Seu advogado, Cezar Bitencourt, rebateu com a mesma força: “Cid fala a verdade! Não mente!”. Um cabo de guerra verbal onde cada um puxa a verdade para o seu lado, enquanto o país assiste, boquiaberto, ao julgamento que pode desmantelar o mito da direita armada.
O centro da treta? Um certo “Plano Punhal Verde e Amarelo” — codinome que mais parece enredo de conspiração sul-americana. Cid garante que Braga Netto participou de reuniões secretas e que entregou até dinheiro vivo para bancar a operação. Braga Netto nega tudo. Ele disse que nunca nem viu, nunca nem soube, como dizem nas redes sociais.
Enquanto isso, o Brasil, chocado e cansado, assiste a mais um episódio da novela da tentativa de golpe. Quem está mentindo? Quem está protegendo quem? Quem vai cair primeiro?
Essa acareação não foi só uma troca de acusações. Foi o primeiro round de um confronto de titãs onde, no fim, um pode sair como traidor da pátria e o outro como símbolo de um Exército rachado. A guerra está apenas começando. E os bastidores de Brasília fervem.




