Política e Resenha

ARTIGO – Comunicação: o elo perdido do governo Lula

 

 

(Padre Carlos)

Em pleno 2025, o governo federal ainda parece operar sua comunicação como se estivéssemos em 2003. Enquanto a extrema-direita se sofisticou e construiu uma presença digital onipresente — com cortes virais, lives diárias, linguagem emocional e mobilização constante —, o Planalto continua preso ao modelo analógico do palanque físico, da fala improvisada e dos eventos que mal repercutem fora do jornal oficial.

A consequência? Uma gestão com realizações que não reverberam. Um presidente ativo que não se faz presente nas redes. Uma militância progressista potente, mas desarticulada por falta de conteúdo coordenado e contínuo.

É preciso dizer com todas as letras: a comunicação é o calcanhar de Aquiles do governo. Não se trata de criar um novo “cercadinho”, nem uma versão petista do “gabinete do ódio”. Não se deseja propaganda ou seitas digitais. O que se exige é profissionalismo, estratégia, linguagem adequada ao tempo presente.

Lula poderia — e deveria — utilizar as ferramentas disponíveis com a mesma ousadia com que fez política nos anos 1980. Lives breves, recortes com posicionamentos firmes, desmentidos diários às fake news, explicações simples sobre temas complexos como o IOF ou o aumento do número de parlamentares. Isso custa pouco, tem impacto gigantesco e pode resgatar a narrativa pública do governo.

Hoje, o que se vê é um esforço institucional que se perde por falta de visibilidade. É trabalho sem retorno. É enxugar gelo.

A comunicação governamental precisa deixar o século XX. Precisa entrar na era dos algoritmos. E precisa fazer isso agora — antes que as redes sociais, dominadas por vozes conservadoras organizadas, consolidem uma realidade paralela onde a verdade se cala por falta de quem a diga com coragem, clareza e constância.

Se o governo quer governar de fato, precisa ocupar a arena digital com a mesma seriedade com que ocupa ministérios. Porque hoje, quem não comunica… não governa.