
(Padre Carlos)
A situação do Hospital Esaú Matos exige mais do que discursos: exige ação concreta, política séria e compromisso federativo. O que era para ser uma maternidade municipal, referência local em Vitória da Conquista, tornou-se — por necessidade e excelência — um dos principais centros de partos da Bahia, superando barreiras geográficas e orçamentárias. Mas quem paga a conta? O povo de Conquista.
Enquanto 67 municípios pactuados ainda contribuem com alguma parcela para os serviços prestados, o hospital atende hoje pacientes de mais de 200 cidades, abrangendo o norte de Minas Gerais, o sul e oeste da Bahia, e até casos vindos de São Paulo. E tudo isso sustentado majoritariamente com os recursos do município. Um absurdo técnico, ético e político.
O Esaú Matos é o segundo hospital da Bahia em número de partos, perdendo apenas para a capital Salvador. Mais da metade dos partos — normais e de alta complexidade — são de fora da cidade. E aqui estamos falando de procedimentos complexos, que exigem equipes médicas, insumos hospitalares, UTI neonatal, anestesia, leitos e uma rede completa de apoio. E tudo isso sob o peso de um orçamento municipal que já não comporta tamanha sobrecarga.
O problema é estrutural e tem nome: subfinanciamento federativo da saúde e inércia do governo estadual e federal diante de uma realidade que já ultrapassou os limites do tolerável. O Hospital Esaú Matos é regional, sim. Mas só o município tem arcado com esse compromisso. É como se Vitória da Conquista sustentasse sozinha um serviço público que beneficia quase metade do estado e outros tantos fora dele.
O governador, sensibilizado com os dados, prometeu tratar pessoalmente da questão com o governo federal e sugeriu um estudo técnico para viabilizar a criação de uma nova maternidade em Vitória da Conquista. A promessa é válida, mas não pode virar mais uma peça de palanque. O povo quer ações e não intenções.
É urgente que o Esaú Matos seja reconhecido formalmente como hospital regional, recebendo recursos proporcionais ao volume de atendimento que realiza. O pacto federativo na saúde não pode ser uma ficção jurídica — ele precisa funcionar para quem está na ponta. A equidade do SUS depende disso.
Que o governo estadual e o Ministério da Saúde assumam suas responsabilidades. O Esaú Matos já provou sua competência. Agora é hora de justiça financeira e administrativa. O que não dá é para a população de Vitória da Conquista continuar pagando sozinha pela omissão dos outros entes federativos.
Porque cuidar da vida — especialmente da chegada dela — é dever de todos nós. Mas quem está pagando essa conta sozinho é o povo conquistense. E isso precisa mudar. Urgente.




