
Por Padre Carlos
Em pleno século XXI, é inaceitável que comunidades inteiras convivam com a ausência de infraestrutura básica, como pavimentação e saneamento, enquanto seus representantes políticos acumulam poder e influência em Brasília. O caso do município de Patos, na Paraíba, reduto da família Motta, escancara essa contradição.
Apesar de décadas de domínio político, com nomes como Francisca Motta, Nabor Wanderley e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a região ainda enfrenta problemas estruturais graves. Ruas esburacadas, violência crescente e falta de oportunidades são marcas registradas de um território que, ironicamente, é chamado de “feudo eleitoral” da família.
Mas o que mais choca é o histórico de escândalos envolvendo essa dinastia. Em 2016, a Polícia Federal prendeu preventivamente Illana Motta, mãe do deputado Hugo Motta, e afastou do cargo de prefeita de Patos sua avó, Francisca Motta, no âmbito da Operação Veiculação. A investigação revelou um esquema de fraudes em licitações e contratos públicos que desviou mais de R$ 11 milhões de programas federais como o PNATE (Transporte Escolar), Fundeb, Pró-Jovem Trabalhador e recursos da Saúde.
Segundo o Ministério Público Federal, os contratos superfaturados e as empresas de fachada eram parte de um esquema familiar que envolvia prefeitos de três municípios e servidores públicos ligados entre si por laços de sangue e alianças políticas. A mãe de Hugo Motta, por exemplo, era chefe de gabinete da própria mãe, a prefeita afastada.
Enquanto isso, os moradores de Patos seguem enfrentando a poeira no verão e a lama no inverno. A infraestrutura prometida nunca chega, mas o poder da família Motta permanece firme, sustentado por uma rede de influência que parece imune à alternância democrática.
É urgente romper com esse ciclo de poder hereditário que transforma o voto em moeda de troca e a política em negócio de família. A democracia exige alternância, fiscalização e, acima de tudo, compromisso com o bem comum — algo que parece ter sido esquecido nas vielas de Patos.




