Política e Resenha

ARTIGO – Quando a Justiça é Tardia, o Feminicídio É Premeditado (Padre Carlos)

 

 

A tragédia que tirou a vida de Edilaine de Jesus, em plena luz do dia, em uma via pública de Planalto, não foi um crime inesperado. Foi um assassinato anunciado. Um ato brutal cometido por um homem que já possuía histórico de violência doméstica, que já havia sido preso, que já havia ameaçado, que já havia ultrapassado os limites da obsessão. E mesmo assim, estava solto.

Edilaine tinha uma medida protetiva. Isso mesmo: a Justiça reconheceu o risco. O Estado sabia. A polícia sabia. O Judiciário sabia. E o agressor também sabia. Mas nada disso foi suficiente para salvá-la. Ela foi atropelada. Ela foi esfaqueada. Ela foi executada. E agora, mais uma vez, resta a indignação pública e uma promessa de diligência policial após o corpo já estar no chão.

O que mais falta acontecer para que o Estado cumpra o seu papel? Quantas Edilaines ainda vão precisar morrer para que as medidas protetivas deixem de ser apenas papéis timbrados? Quantos feminicidas reincidentes ainda terão o benefício da fiança, mesmo sendo evidentes os sinais de que continuarão perseguindo, ameaçando e matando?

A omissão das instituições não pode mais ser tratada como falha. É cúmplice. Quando o Estado falha sistematicamente em proteger as mulheres mais vulneráveis, ele se torna corresponsável por cada gota de sangue derramada. As estatísticas do feminicídio não mentem. Elas gritam. Elas choram por justiça. Mas esse grito está sendo abafado por uma burocracia insensível, uma política de segurança ineficaz e um sistema penal leniente com criminosos reincidentes.

O feminicídio de Edilaine não é só um drama individual ou familiar. É um espelho cruel de uma sociedade que ainda não levou a sério a vida das mulheres. E mais do que indignação, é hora de ação. É hora de responsabilizar os que agem e os que se omitem. É hora de transformar o luto em luta.

Justiça por Edilaine. Justiça por todas.