Política e Resenha

ARTIGO – A duplicação que não chega: quando a vida vale menos que a burocracia

 

 

(Padre Carlos)

Há rodovias no Brasil que mais parecem corredores de morte do que vias de progresso. A BR-116, entre o entroncamento de Belo Campo e a cidade de Planalto, é um desses exemplos gritantes de omissão e inércia estatal. Nesta segunda-feira, lideranças do movimento Duplicação Sudoeste voltaram a soar o alarme: a duplicação prometida segue atolada em processos licitatórios que nem sequer foram iniciados. Pior — o horizonte é sombrio: só para 2030.

Sete anos. Milhares de dias. E, até lá, quantas vidas ainda se perderão naquele trecho?

O apelo do movimento é sensato, técnico e urgente: se a duplicação está emperrada na burocracia, que ao menos sejam implantadas faixas adicionais, como medida emergencial, para reduzir acidentes e dar vazão ao tráfego cada vez mais intenso. É uma sugestão simples, eficaz e já aplicada em outros trechos com sucesso — como entre Ilhéus e Itabuna, onde a mobilidade urbana e a segurança viária deram um salto de qualidade.

A proposta não é nova. O próprio CONTRAN já prevê, por meio de portarias, a criação de faixas adicionais para melhorar o fluxo e garantir a segurança dos usuários das rodovias federais. O que falta, então? Coragem política e vontade orçamentária. Falta ao Ministério dos Transportes reconhecer a urgência da região sudoeste da Bahia e agir de forma célere e objetiva.

Enquanto isso, caminhões e carretas lentas disputam espaço com ônibus lotados e veículos leves, num verdadeiro jogo de roleta russa asfaltada. A cada ultrapassagem forçada, uma nova tragédia pode estar a segundos de distância.

Não se trata de luxo. Trata-se de justiça. De respeito à vida. De reconhecer que o Brasil profundo também tem voz — e que essa voz grita por socorro nas margens da BR-116.