
Por Padre Carlos
A cada nova manchete sobre a possível venda de ativos estratégicos da Petrobras, como o Polo Bahia, somos obrigados a reafirmar o óbvio: o petróleo é nosso. E não se trata de uma frase de efeito. Trata-se de uma verdade estruturante do nosso projeto de país. O que está em jogo aqui não é a rentabilidade de um poço, nem a comparação simplista entre o “filé mignon” e a “costela” do setor de óleo e gás. O que está em jogo é a soberania nacional.
A Petrobras é mais que uma empresa. Ela é um instrumento de Estado, que foi concebido com o objetivo claro de garantir que os recursos do subsolo brasileiro sirvam, antes de tudo, ao povo brasileiro. É um erro grave – e, mais do que isso, é uma contradição política – permitir que ativos estratégicos continuem sendo tratados com a lógica de balcão do período ultraliberal do governo anterior.
O Polo Bahia é parte da história do petróleo no Brasil. Produz atualmente cerca de 9 mil barris diários, chegando a 12 mil barris de óleo equivalente se considerarmos o gás natural. Está enraizado no Recôncavo Baiano, região que guarda os primeiros passos da indústria petrolífera nacional. Vender esse ativo significa não apenas abrir mão de sua produção atual – significa desconectar uma parte do país de sua história, de seu futuro e de seu potencial de desenvolvimento regional.
A atual gestão da Petrobras, sob a liderança da presidente Magda Chambriard, afirmou que a recente queda no preço do barril reacendeu o debate sobre a viabilidade do ativo. Mas essa análise contábil não pode ser isolada da política pública. A missão da Petrobras não é agradar acionistas em Nova York. É servir ao interesse nacional, ao povo que sustenta essa empresa com suor, impostos e esperança.
É hora de o governo federal — um governo legitimamente de esquerda, popular, que voltou com a promessa de reconstruir o Brasil — deixar claro que não se vende ativo estratégico em governo progressista. É preciso lembrar à diretoria da estatal que ela deve estar alinhada ao projeto nacional de desenvolvimento e não aos humores da Bolsa.
O Brasil não pode continuar vendendo seus ativos como se estivesse em liquidação. Isso não é eficiência — isso é submissão. A Petrobras precisa ser reorientada para a retomada do investimento nacional, da industrialização, da autossuficiência energética e do protagonismo regional. Não há projeto de país sem soberania energética.
É urgente que o governo revise a política de desinvestimento herdada da era entreguista. É urgente que a Petrobras volte a ser uma empresa de Estado, voltada ao desenvolvimento nacional, à justiça social e à integração das regiões. O Polo Bahia não é um fardo. É uma oportunidade de reindustrializar o Nordeste, gerar empregos, investir em tecnologia e formar um novo ciclo de crescimento para o país.
O petróleo é nosso. O futuro também. E esse futuro não será vendido por barris de ilusão.
Brasil acima de tudo, desenvolvimento acima do lucro imediato!




