
(Padre Carlos)
A 14ª Conferência Municipal de Assistência Social foi aberta com o peso simbólico de duas décadas do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), uma política que, ao longo dos anos, vem tentando reescrever a história dos excluídos no Brasil. Mas não basta celebrar: é preciso transformar. E nessa tarefa, a presença e o compromisso do presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, merecem atenção e responsabilidade redobrada.
Ivan Cordeiro não foi apenas mais uma autoridade entre as cadeiras do auditório Lúcia Maria Dórea. Ele foi, naquele momento, a voz do Legislativo local afirmando, com todas as letras, que “o SUAS é um instrumento poderoso de proteção e emancipação social” e que é dever do poder público “garantir segurança de renda, acolhimento, convivência e cidadania para todos”. Palavras importantes, que criam expectativa e geram cobrança. Porque compromisso, na política, não se mede pelo discurso, mas pela prática concreta.
O Legislativo, presidido por Ivan, tem um papel vital: fiscalizar o Executivo, propor políticas, abrir canais de diálogo e garantir que o orçamento não esqueça os pobres. E se o presidente da Câmara afirma estar ao lado do SUAS, é preciso que sua gestão faça eco disso nas comissões, nos debates em plenário e, sobretudo, na destinação de emendas e recursos para fortalecer os CRAS, CREAS e os equipamentos sociais que ainda sofrem com carências estruturais.
Lêda Freitas, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, apontou com lucidez que a assistência social ainda é “uma política tímida, pouco conhecida”. E talvez esteja aí o maior desafio de Ivan Cordeiro e dos vereadores: fazer com que o SUAS entre de vez na centralidade do debate político e orçamentário da cidade. É preciso tornar visível o invisível, romper com o velho assistencialismo e construir, com coragem, uma rede de proteção que promova autonomia, e não dependência.
A conferência reuniu técnicos, usuários, lideranças comunitárias e especialistas como José Crus, que destacou a grandiosidade do SUAS como um dos maiores sistemas de proteção social do mundo. Mas também alertou: é hora de avaliar, corrigir rumos e adaptar políticas às realidades do povo. E quem conhece Vitória da Conquista sabe: entre a cidade e a zona rural há abismos que o SUAS precisa, com urgência, atravessar.
Ivan Cordeiro se comprometeu publicamente. E isso tem um peso. Que esse compromisso se traduza em ações concretas, como a valorização dos trabalhadores da assistência, o fortalecimento das parcerias com organizações sociais e o combate à burocracia que muitas vezes sufoca os usuários. Que o Legislativo, sob sua presidência, seja de fato um aliado da transformação social.
Os vinte anos do SUAS não são apenas uma efeméride. São um chamado. Um chamado a Ivan, ao Executivo, aos conselhos, à sociedade. Um chamado à coragem. Porque proteger o povo é mais do que administrar recursos: é reconhecer direitos. E se há um tempo para agir, é agora. O futuro não espera. E a dignidade é urgente.




