Política e Resenha

A Duplicação, Só Depois… ou Nunca?

 

 

 

Por José Maria Caires

O Brasil é um país onde o essencial vira promessa, e a promessa vira espera. A duplicação da BR-116, um clamor antigo e legítimo de quem vive, trafega e sobrevive no Sudoeste baiano, mais uma vez entra na fila da burocracia, da omissão política e da lenta engrenagem estatal. O povo quer estrada, mas Brasília só entrega desculpas.

Antes de resolver o drama dos buracos e das ultrapassagens mortais, a prioridade parece ser outra: aumentar o número de Deputados Federais — como se o país precisasse de mais parlamentares para representar melhor os seus próprios interesses. Uma proposta que aguarda a caneta do Presidente Lula e já nos antecipa o tom da próxima legislatura: mais polêmica, mais gastos, mais Brasília.

Enquanto isso, o famigerado tarifaço ocupa o centro das negociações. O governo está empenhado em conter os danos e manter alguma governabilidade. E o IOF? Suspenso. Mas à espera de uma reunião dos Três Poderes — isso mesmo, o Brasil precisa de três chefes de poder para decidir se vai ou não pesar ainda mais no bolso do cidadão.

A duplicação? Só depois…

A ANTT fez o que lhe cabia. Realizou quatro audiências públicas — em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Brasília. Recolheu sugestões, acenos de esperança, críticas e revolta. Agora o contrato da nova concessionária está em análise, em trâmite burocrático. Quando tudo estiver “redondinho”, segue para o Tribunal de Contas da União. A previsão é que o edital saia em dezembro de 2025.

Mas é aí que entra o Brasil real: se não houver impugnação. Se não houver recurso administrativo. Se não houver judicialização. Se houver empresas interessadas. Se o leilão não for deserto. Se…

Se tudo der certo — e essa expressão já carrega o pessimismo do nosso cotidiano — em 2026 teremos uma nova empresa no lugar da VIABAHIA. Uma nova esperança. Uma nova promessa. Um novo contrato. E quem sabe, uma nova estrada.

O problema é que já vimos esse filme antes. E como toda reprise brasileira, o final é o mesmo: a duplicação fica para depois.

Só que o povo do Sudoeste não pode mais esperar. A rodovia é artéria vital da nossa economia, é corredor humano de estudantes, comerciantes, caminhoneiros e famílias inteiras. Cada dia sem duplicação é um risco a mais, uma vida a menos, uma negligência oficializada.

Não queremos audiência pública, queremos ação concreta. Não queremos aditivos e adiantamentos, queremos resultado. E não queremos mais um contrato como o da VIABAHIA — um fracasso com pedágio caro e pista precária.

Duplicar a BR-116 não é luxo. É justiça. É segurança. É compromisso com o desenvolvimento. E se a duplicação for mesmo para depois, que se diga quando. Porque “depois”, no dicionário da política brasileira, costuma ser sinônimo de nunca.

José Maria Caires
Súplica Sudoeste