Política e Resenha

O Brilho Apagado e a Semente da Cura

 

 

Em um bairro tranquilo, onde as casas se aninhavam umas perto das outras, viviam dois garotos: Léo e Davi. Léo era um menino de olhos curiosos e um sorriso que iluminava qualquer ambiente. Desde cedo, ele se destacava em tudo que fazia. Na escola, suas notas eram sempre as mais altas; no campinho de futebol, seus dribles deixavam todos para trás; e até mesmo na hora de desenhar, suas cores pareciam ganhar vida própria. Léo irradiava um brilho natural, uma alegria contagiante que atraía a todos.

Davi, que morava na casa ao lado, observava Léo com uma mistura de admiração e algo mais, algo que ele mesmo não compreendia. No começo, era apenas um incômodo, uma pontada no peito quando via Léo ser elogiado. Mas, com o tempo, essa pontada se transformou em uma sombra, um sentimento que crescia em seu coração: a ciúmeira. Davi começou a achar que Léo “exagerava”, que era “demais” o seu talento, a sua felicidade.

Um dia, durante uma brincadeira no quintal, Davi teve uma ideia sombria. Ele convenceu Léo a explorar um velho porão que havia na casa de sua avó, um lugar escuro e esquecido, cheio de teias de aranha e um cheiro de mofo. “Vamos ver quem aguenta mais tempo lá embaixo!”, disse Davi com um sorriso forçado. Léo, sempre disposto a um desafio, aceitou. Mas, assim que Léo desceu os primeiros degraus, Davi, tomado pela inveja, fechou a pesada porta de madeira, trancando-a por fora.

Lá dentro, Léo, confuso e com um pouco de medo, tentava entender o que acontecia. O porão era escuro, abafado, e ele não via mais o sol, nem ouvia as risadas dos amigos. Seu brilho, aos poucos, começou a se apagar naquele ambiente opressor. Davi, do lado de fora, sentiu um alívio momentâneo, como se tivesse finalmente “apagado” o brilho de Léo. Mas a verdade é que, ao trancar Léo, ele também se trancou em sua própria escuridão.

Os dias passaram. Léo, mesmo no porão, encontrou formas de se manter vivo, lembrando-se das coisas boas, das lições que aprendera. Ele sabia que o brilho verdadeiro vinha de dentro. Enquanto isso, Davi, apesar de ter “vencido” sua batalha contra Léo, sentia um vazio imenso. A vitória não trouxe alegria, apenas um peso em sua consciência. Ele percebeu que, ao tentar ofuscar o outro, ele mesmo se tornara menor.

Um dia, a mãe de Davi, preocupada com o sumiço de Léo, descobriu o que havia acontecido. A tristeza e a vergonha tomaram conta de Davi. Ele entendeu que a ciúmeira não constrói, apenas destrói. Destrói o outro, mas, principalmente, destrói a si mesmo.

Com a ajuda dos pais, Davi foi até o porão e libertou Léo. O reencontro foi repleto de lágrimas, mas também de uma nova esperança. Léo, com seu espírito resiliente, não guardou rancor. Ele entendeu que o que movia Davi era a dor, a falta de luz em seu próprio coração.

Essa história nos mostra como a ciúmeira pode nos levar a atos que tentam apagar o brilho alheio. É um sentimento que, muitas vezes, nasce da insegurança e da falta de amor próprio. A humanidade, de fato, precisa de cura para esses sentimentos destrutivos. Em vez de querer apagar o brilho do outro, deveríamos nos inspirar nele, buscando cultivar nossa própria luz.

E é aí que entra a força da nossa fé. Pedir ao Espírito Santo que nos blinde, que nos vista com a armadura divina, é o caminho para nos protegermos dessas energias negativas. É pedir que o amor, a paz e a compreensão prevaleçam, transformando a escuridão em luz, o ódio em compaixão. Porque, no fundo, todos nós temos um brilho único a oferecer ao mundo, e o verdadeiro lar é aquele onde esse brilho pode florescer, livre de inveja e cheio de amor.

Lucas Batista