
(Por Política & Resenha)
O Brasil vive entrincheirado. Passamos os últimos anos cavando fossos ideológicos tão profundos que nos esquecemos de olhar para além de nossas próprias fronteiras. Celebramos as derrotas de nossos adversários internos com mais fervor do que as vitórias de nossa própria nação. Mas a história, com sua ironia cruel, nos apresenta agora um teste de caráter, um momento da verdade que não permite hesitação: uma potência estrangeira resolveu interferir em nossos assuntos, e a nossa resposta a isso definirá o que realmente somos.
A recente onda de ações hostis dos Estados Unidos contra o Brasil – seja através de tarifas comerciais punitivas ou da humilhante seletividade ao cancelar vistos de ministros de nossa Suprema Corte – não é um debate de ideias. É um ato de poder. É uma nação estrangeira tentando ditar as regras dentro da nossa casa, sinalizando quais de nossos juízes são “aceitáveis” e quais não são. Isso tem um nome: atentado à soberania.
E é neste exato ponto que as trincheiras ideológicas deveriam desmoronar.
Neste momento, a sua filiação partidária é irrelevante. Sua preferência por este ou aquele modelo econômico é um detalhe. Se você aplaudiu ou vaiou o presidente na última eleição, é uma nota de rodapé. A única pergunta que importa, a linha que separa os estadistas dos traidores, é: de que lado da fronteira está a sua lealdade?
Ver esta crise através de uma lente de direita vs. esquerda é a maior de todas as armadilhas. Alegrar-se com a pressão externa porque ela atinge um adversário político interno não é uma jogada de xadrez inteligente; é serrar o galho em que todos nós estamos sentados. É comemorar um incêndio na casa do vizinho, esquecendo que o fogo se alastra e que a aldeia inteira é nossa.
Um estadista de verdade, seja de qual espectro for, pode e deve criticar o governo de seu país. Mas ele jamais, sob nenhuma circunstância, aplaudirá a humilhação de sua pátria. Um traidor, por outro lado, vê na crise uma oportunidade. Ele viaja para o exterior não para defender o Brasil, mas para conspirar contra ele. Ele usa o ataque de uma nação estrangeira como munição em sua guerrilha política interna. O silêncio conivente ou o apoio velado à interferência são as marcas indeléveis da traição.
Não quero saber se o deputado ou o cidadão se define como de direita ou de esquerda. Eu quero saber se ele defende seu país ou se concorda com as ameaças impostas. A história não terá piedade daqueles que, em um momento de agressão à nossa soberania, escolheram ficar do lado do agressor.
Que os traidores da nação sejam desmascarados.
Que a nossa nação seja soberana.
O Brasil, antes de tudo e acima de tudo, para os brasileiros.




