
Por José Maria Caires
O desenvolvimento regional exige mais do que promessas: exige ações concretas. E o Centro de Convenções de Vitória da Conquista é uma dessas ações que precisam urgentemente sair do papel para se tornarem realidade. A terceira maior cidade da Bahia, com localização estratégica, vocação para o comércio, serviços e turismo, e uma efervescente vida acadêmica e cultural, não pode mais ser preterida quando se fala em investimentos estruturantes.
Durante a campanha eleitoral de 2022, lideranças políticas, empresariais e representantes da sociedade civil de Vitória da Conquista não se omitiram. Pelo contrário, se organizaram, ouviram os candidatos e apresentaram com clareza as prioridades para alavancar o desenvolvimento da região. Na lista, estavam cinco grandes obras: o ramal ferroviário de Ituaçu aos Imborés, o gasoduto de Jequié até Conquista, a barragem do Rio Pardo, a duplicação da BR-116 e, claro, o Centro de Convenções. Dessas, apenas a duplicação da Rio-Bahia, mesmo a passos lentos, vem tendo algum tipo de avanço, por se tratar de uma demanda federal. As demais seguem no limbo das boas intenções.
Mas foi nos dias 9 e 10 de novembro de 2023 que uma fagulha de esperança reacendeu. O governador Jerônimo Rodrigues anunciou, com entusiasmo, a construção do Centro de Convenções da cidade. A iniciativa não foi fruto do acaso, mas sim da pressão legítima e organizada de quem vive e investe nesta terra. Recebi, com responsabilidade e honra, o convite de um representante da CONDER para visitar possíveis locais para a obra. Não hesitei: defendi, com convicção, que o antigo aeroporto, de frente para a Lagoa das Bateias, seria o local ideal.
Ali, naquele espaço hoje ameaçado pelo abandono, vislumbrei possibilidades. Acessos múltiplos, integração com o entorno, valorização de uma área central e estratégica. Levei o arquiteto da CONDER até o início da pista de pouso, mostrei o potencial, projetei sonhos. E mesmo sem palavras, vi no olhar dele o que a cidade inteira deseja: aprovação. Dias depois, a confirmação por mensagem: o local seria mesmo o escolhido.
No entanto, a escolha do terreno, por si só, não edifica paredes nem movimenta a economia. É preciso mais do que intenções. Vitória da Conquista, com toda sua pujança, não pode continuar sendo deixada à margem de uma política de desenvolvimento que favorece cidades com menor peso econômico e populacional. Cidades com menor relevância regional já possuem centros de convenções funcionando a pleno vapor. Isso nos indigna — e com razão.
Não se trata de bairrismo ou vaidade. Trata-se de justiça. Um centro de convenções é muito mais que um prédio bonito. É infraestrutura capaz de atrair grandes eventos, feiras comerciais, congressos, encontros culturais, shows e negócios. É um equipamento que gira a roda da economia, gera empregos diretos e indiretos, fortalece o turismo, aquece o setor hoteleiro e alimenta a autoestima de um povo empreendedor.
Não queremos favores. Queremos respeito. Queremos que o compromisso assumido se traduza em obra feita. Que o Centro de Convenções de Vitória da Conquista deixe de ser uma promessa e se torne um símbolo de compromisso com o desenvolvimento regional. Sabemos que a Bahia tem muitas demandas e que os recursos são limitados, mas há prioridades que falam mais alto — e essa é uma delas.
Ao governador Jerônimo Rodrigues, lembramos: os olhos da sociedade conquistense estão atentos. Que as palavras de campanha não se percam na poeira da pista do antigo aeroporto, mas se concretizem em alicerces firmes e colunas de desenvolvimento.
Vitória da Conquista merece. A Bahia precisa.
José Maria Caires
Empresário e articulador regional
Integrante do movimento pela implantação do Centro de Convenções em Vitória da Conquista




