
Por: Thâmar De Castro Dias
Sandra Gadelha, conhecida por muitos como ex-mulher de Gilberto Gil, é, antes de tudo, mãe de Maria, Pedro e Preta. E é como mãe que carrega no corpo e na alma a experiência mais dilacerante que alguém pode viver: a de enterrar um filho. Nos anos 90, ela se despediu de Pedro. Dias atrás, se despediu de Preta. Como medir a força que habita uma mulher que atravessa duas vezes a dor da ausência? Não há palavras que sejam capazes.
A travessia de uma mãe enlutada é diferente. É um grito que quase nunca sai, é um silêncio que pesa mais do que qualquer barulho. Não existe consolo que preencha o espaço deixado por um filho. É cicatriz, que permanece na alma. Quem já testemunhou esse luto de perto sabe: ele se revela nos olhos marejados ao entardecer, no corpo que continua vivendo mesmo quando a alma parece ter parado, no choro que, muitas vezes, fica guardado no cantinho mais escondido da alma.
Sandra é muitas. Quantas Sandras existem por aí? Quantas mães atravessam o dia com a saudade queimando por dentro e a esperança de que, em algum lugar, seus filhos permanecem vivos? São mulheres que caminham, que sorriem para o mundo, mas que à noite repousam a cabeça no travesseiro e se lembram, no silêncio, da despedida. São mães que vivem um luto diário, entre a força que o mundo exige e a fragilidade que só elas conhecem.
E, ainda assim, há algo de profundamente sagrado nesse luto. Porque ele também é amor. O luto é a prova de que a conexão entre mãe e filho nunca acaba. A morte não é capaz de apagar o que foi construído em vida. Ela pode interromper a presença física, mas não desfaz o vínculo que transcende esta existência. É um amor que continua, que atravessa dimensões, que encontra formas de permanecer vivo, mesmo na ausência, na solidão, na solitude.
Que Sandra, e todas as mães que carregam essa saudade, encontrem consolo. Que elas saibam que, mesmo na finitude, a morte não é o fim. Que a ausência se transforme em memória viva, em espaço preenchido por amor e significado. E que, em meio à dor insuportável, exista sempre um sopro de esperança: a certeza de que nada, nem mesmo o morrer, é capaz de desfazer o laço entre uma mãe e um filho.




