Política e Resenha

O Tarifaço de Trump e o Ressurgimento Político de Lula

 

 

O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, com uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, gerou um impacto inesperado no cenário político nacional. Contrariando as expectativas iniciais de desgaste, a medida parece estar fortalecendo a popularidade do presidente Lula, segundo pesquisas recentes. Esse fenômeno, que analistas atribuem a um sentimento nacionalista despertado pela decisão americana, ocorre em um momento de conquistas históricas do governo, como a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU e a queda recorde do desemprego, conforme dados do IBGE. Mais do que isso, o tarifaço pode abrir espaço para a formação de uma frente ampla com setores da direita liberal, unindo forças em defesa da soberania econômica e dos interesses nacionais.

O Tarifaço e o Nacionalismo Brasileiro

Quando Trump anunciou o tarifaço, justificando-o com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à condução política do Brasil, o governo Lula optou por uma postura de firmeza, defendendo a soberania nacional. Essa resposta, que incluiu declarações de Lula e de aliados como o senador Humberto Costa (PT-PE), ressoou positivamente entre a população. Segundo a Quaest, 53% dos brasileiros aprovam a estratégia de reciprocidade de Lula, enquanto 57% rejeitam as críticas de Trump ao STF. A narrativa de que o tarifaço é uma pressão política para proteger aliados de Jair Bolsonaro, como apontado pelo ministro Paulo Teixeira, reforça a percepção de que o Brasil está sendo alvo de interesses externos. Esse discurso nacionalista elevou a popularidade de Lula, com pesquisas indicando recuperação de aprovação após a medida americana.

Saída do Mapa da Fome: Um Trunfo Social

A saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, anunciada em 28 de julho de 2025, é um marco que reforça a narrativa de sucesso do governo Lula. Em apenas dois anos, o Brasil reduziu a insegurança alimentar grave para menos de 2,5% da população, retirando cerca de 24 milhões de pessoas dessa condição. Essa conquista, alcançada pela segunda vez sob Lula (a primeira foi em 2014), reflete políticas públicas robustas, como o Bolsa Família, o fortalecimento da agricultura familiar e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A saída do Mapa da Fome não apenas melhora a imagem do governo, mas também capitaliza apoio popular em um momento de tensão internacional, mostrando que o Brasil pode enfrentar desafios externos enquanto avança internamente.

Desemprego em Queda e Emprego com Carteira Assinada

Outro pilar que sustenta o fortalecimento político de Lula é a queda recorde do desemprego. Em 2024, a taxa de desemprego atingiu 6,6%, a menor desde 2012, segundo o IBGE. Além disso, das 1,7 milhão de vagas com emprego com carteira assinada criadas no mesmo ano, 98,8% foram ocupadas por pessoas do Cadastro Único, com 75,5% sendo beneficiários do Bolsa Família. Esses números demonstram que o governo tem priorizado a inclusão econômica dos mais pobres, com impacto direto na redução da pobreza extrema (4,4% em 2023, menor índice histórico) e na desigualdade (índice de Gini em 0,506, o menor da série). A queda do desemprego e o aumento do emprego com carteira assinada consolidam a imagem de um governo que entrega resultados concretos, fortalecendo Lula diante do tarifaço.

Frente Ampla com a Direita Liberal: Uma Possibilidade Estratégica

O tarifaço também abre uma janela para a construção de uma frente ampla com setores da direita liberal, que, apesar de divergências ideológicas, compartilham o interesse em proteger a economia brasileira. Empresários dos setores afetados, como os de suco de laranja, celulose e aviação (exceções à taxação), pressionam por negociações com os EUA, enquanto analistas sugerem que o Brasil explore instrumentos como a quebra de patentes ou sanções a produtos americanos. Essa convergência de interesses econômicos pode unir governistas e liberais em torno de uma agenda de soberania e competitividade. A direita liberal, historicamente crítica a Lula, pode encontrar no tarifaço um motivo para dialogar, especialmente diante da percepção de que a medida americana é mais política do que econômica, como apontado por aliados de Lula.

Desafios e Oportunidades

Apesar dos ganhos políticos, o tarifaço representa um desafio econômico. A XP Investimentos avalia o impacto como “gerenciável”, mas uma retaliação mal calculada pode agravar os efeitos na economia. A estratégia de Lula, que combina diálogo nos bastidores (como as conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick) e uma postura pública de firmeza, busca equilibrar a defesa dos interesses nacionais com a preservação de canais diplomáticos. A habilidade de Lula em transformar o tarifaço em uma oportunidade política dependerá de sua capacidade de manter a coesão interna e atrair setores da direita liberal para uma frente ampla em defesa do Brasil.

Conclusão

O tarifaço de Trump, inicialmente visto como uma ameaça, está se revelando um catalisador para o fortalecimento da popularidade de Lula. A saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, a queda do desemprego e o aumento do emprego com carteira assinada consolidam a imagem de um governo que entrega resultados sociais e econômicos. Ao mesmo tempo, o contexto abre espaço para uma frente ampla com a direita liberal, unindo forças em torno da soberania nacional. Se Lula souber navegar esse cenário com habilidade, o tarifaço pode marcar não apenas um momento de resistência, mas também de consolidação de sua liderança no Brasil.

Padre Carlos