
(Padre Carlos)
No retorno dos trabalhos legislativos desta sexta-feira, o pronunciamento do Subtenente Muniz não foi apenas uma saudação formal, mas uma reafirmação do papel real de um parlamentar comprometido com as causas do povo. Em sua fala, marcada por clareza e sinceridade, Muniz rechaçou a ideia comum — e por vezes maldosa — de que o recesso parlamentar significa férias para os vereadores. Ao contrário, demonstrou que o mandato não dorme, apenas muda de cenário: das tribunas para as ruas, das sessões para as visitas, das leis para o contato direto com as demandas da comunidade.
Ao dar boas-vindas a Gilzete, Muniz não se limitou à cortesia. Reconheceu nele a competência e o compromisso necessários para estar à altura das necessidades da cidade. Da mesma forma, saudou a nova servidora Gabriela Garrido, confiante de que sua atuação fortalecerá ainda mais os trabalhos da Casa Legislativa.
Mas o que mais se destacou no pronunciamento — e que merece ecoar além das paredes da Câmara — foi a firme defesa da causa do autismo. Ao se referir às mães atípicas e à luta cotidiana que elas travam por inclusão, dignidade e respeito, Muniz fez algo raro: politizou com sensibilidade uma pauta invisibilizada por muitos. Ele lembrou, com razão, que o autismo é uma causa de todos nós. Que o compromisso com a neurodiversidade não deve ser delegação de poucos, mas bandeira de todos. Citando nomes, gestos e articulações, o vereador deu rosto à pauta e cobrou o envolvimento dos 23 vereadores.
Num Brasil onde ainda se engatinha na formulação de políticas públicas eficazes para pessoas com deficiência, esse tipo de fala não pode passar despercebido. É um gatilho para a sociedade civil, para os coletivos e para o próprio Executivo, que precisa avançar com ações concretas em saúde, educação e inclusão social.
A contundência do discurso se manteve ao tratar do caso do vereador Nathan, afastado por decisão da Justiça Eleitoral. Muniz, sem papas na língua, apontou o erro sistêmico: a punição ao indivíduo, enquanto o partido que cometeu a infração segue ileso. Nesse ponto, o vereador tocou num vespeiro que muitos evitam — a falta de responsabilização real dos partidos políticos no Brasil. O recado foi direto: pesquise antes de se filiar. Há legendas que, em vez de abrigo para a democracia, são armadilhas para quem sonha com um mandato limpo.
Num tempo de cinismo político, em que discursos são fórmulas prontas e palavras soam ocas, o que vimos nesta sexta foi um parlamentar colocando a alma no que diz. Que não se trata apenas de protocolo, mas de posicionamento. Que política, quando feita com ética e empatia, ainda pode ser instrumento de transformação.
Subtenente Muniz reafirmou algo essencial: a política local, apesar de muitas vezes negligenciada, é o chão onde se constroem os direitos mais urgentes. E quando alguém se ergue nessa arena para defender mães atípicas, autistas, vereadores injustiçados e servidores que chegam para somar, está fazendo muito mais que um discurso. Está cumprindo seu papel.
Que essa fala não se perca no ruído dos dias. Que ela se transforme em ação, articulação e política pública. Afinal, como disse o próprio vereador: “essa causa é de todos nós.”




