Casamento de Preta Gil com Rodrigo Godoy Crédito: Reprodução/Instagram
(Padre Carlos)
Existe um provérbio antigo que diz: “não se deve bater tambor para doido dançar”. A sabedoria popular, mais uma vez, nos alerta sobre o perigo de oferecer palco a quem transforma a dor alheia em espetáculo. E eu concordo — profundamente.
Falar de Preta Gil não é apenas comentar o falecimento de uma artista. É honrar a memória de uma mulher que enfrentou a vida com coragem, mesmo nos seus dias mais sombrios. Que lutou contra o câncer com dignidade, enquanto lidava com a devastação emocional da traição e do abandono. Falar de Preta é também um ato de respeito àquelas que, como ela, enfrentam a doença em silêncio, entre sessões de quimioterapia e lágrimas escondidas.
O que o seu ex-companheiro fez — revela não apenas um despreparo humano, mas um vazio de alma. Em vez de silêncio, ele escolheu o eco da própria mágoa. Em vez de remorso, a vitimização. Em vez de empatia, o julgamento público. E isso diz muito.
A palavra “companheiro” vem do latim “com panis”, aquele que reparte o pão. Mas há quem, diante do pão partido pela dor, retire a própria fatia e vá embora — deixando o outro faminto de cuidado. Há quem nunca aprendeu a repartir o essencial: presença, paciência, proteção.
Rodrigo Godoy talvez jamais tenha compreendido que o amor verdadeiro não se prova nos aplausos das festas, mas na solidão dos hospitais. O amor não se esconde quando o corpo definha; ele permanece, firme, ao lado de quem sofre.
A dignidade de Preta permanece intacta. A de seu ex-companheiro, não. E a tentativa de inverter os papéis de vítima e algoz soa como um insulto a todas as mulheres que já foram abandonadas no momento em que mais precisavam de alguém ao lado.
Não. Não devemos bater tambor para essa dança indecente. O luto merece silêncio. A memória, respeito. E a história de Preta Gil, com todas as suas dores e vitórias, merece ser lembrada com ternura — não com ressentimento público de quem faltou quando mais importava estar presente.





