Política e Resenha

ARTIGO – Lula lidera com folga e Alckmin cresce como plano B (Padre Carlos)

 

 

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada neste início de agosto de 2025, traz um retrato revelador do tabuleiro político que se desenha para 2026: o presidente Lula permanece como o nome mais forte da política nacional, enquanto a oposição patina entre a rejeição do passado e a indefinição do futuro.

Nada menos que 71% dos brasileiros acreditam que Lula será candidato à reeleição, e isso não é pouca coisa. É a reafirmação de que, mesmo diante de um governo que enfrenta críticas e decepções, a liderança de Lula se sustenta com força no imaginário popular, especialmente frente à orfandade de projetos convincentes da oposição. O carisma do presidente, aliado à memória do que foram os seus primeiros governos, ainda pesa mais que os escândalos do presente e os desafios da economia.

Mas há um dado novo — e significativo —: Geraldo Alckmin desponta como o mais cotado para ser o plano B petista, caso Lula decida não disputar a reeleição. O ex-tucano, hoje vice-presidente, aparece cada vez mais como figura de equilíbrio e continuidade. Sua ascensão nos bastidores mostra o grau de pragmatismo do PT em manter o poder. Alckmin não entusiasma a militância de esquerda, mas passa segurança ao centro, ao mercado e até a setores conservadores que não se alinham ao bolsonarismo.

Do outro lado, a direita vive um impasse crônico. Com Jair Bolsonaro inelegível, 67% dos entrevistados defendem que ele desista da candidatura, e isso ecoa como uma sentença popular. A era Bolsonaro, embora viva na retórica agressiva das redes sociais e de seu núcleo mais fiel, perde cada vez mais tração entre o eleitorado médio, aquele que decide eleições.

A pesquisa mostra ainda que, entre os nomes testados como sucessores do bolsonarismo, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas despontam como favoritos. No entanto, ambos enfrentam desafios sérios. Michelle herda o capital simbólico do marido, mas carece de musculatura política própria e de articulação nacional. Tarcísio, por sua vez, administra bem São Paulo, mas é refém da imagem do seu padrinho político, o que dificulta construir um projeto independente.

Os demais nomes da direita — como Ratinho Jr., Ronaldo Caiado, Flávio e Eduardo Bolsonaro — aparecem na pesquisa como figuras marginais, ainda sem densidade eleitoral suficiente para sonhar com o Planalto.

Há, portanto, um descompasso: Lula continua sendo o porto seguro de muitos eleitores, mesmo com alta rejeição (47%). Bolsonaro, com rejeição semelhante (44%), já não consegue mobilizar a esperança, apenas o ressentimento. E nomes menos desgastados, como Tarcísio e Ratinho Jr., ainda são figuras regionais tentando se nacionalizar.

A disputa de 2026 ainda está longe, mas a pesquisa Datafolha deixa claro: a polarização persiste, mas com sinais de fadiga. O Brasil talvez esteja pronto para uma nova síntese — algo entre a força simbólica de Lula e a necessidade de renovação. Se essa transição virá por Alckmin ou por algum outro nome, ainda é cedo para dizer. Mas o recado está dado: o povo quer mais do que passado, quer um futuro possível.