Política e Resenha

ARTIGO – O direito de voar de Conquista a Salvador (Padre Carlos)

 

 

A luta pela melhoria do transporte aéreo em Vitória da Conquista não é apenas uma demanda de luxo ou de conveniência para poucos. Trata-se de uma necessidade urgente de mobilidade, integração e desenvolvimento. Nesta sexta-feira (22), a Câmara Municipal realiza audiência pública para discutir a falta de voos diários para Salvador e os preços abusivos das passagens aéreas. O debate, proposto pelo deputado federal Léo Prates (PDT) e conduzido pelo presidente da Câmara, Ivan Cordeiro (PL), coloca no centro da pauta um problema que atinge diretamente milhares de cidadãos.

É inconcebível que uma cidade do porte de Vitória da Conquista, polo regional que atende toda a região sudoeste da Bahia, continue refém de uma malha aérea deficiente e ineficaz. Como destacou Ivan Cordeiro, hoje é mais fácil voar de Conquista para São Paulo do que para Salvador, nossa própria capital. Um contrassenso que penaliza empresários, estudantes, trabalhadores e, sobretudo, pacientes que dependem de tratamento médico em hospitais da capital.

A ausência de voos diários não é apenas um transtorno logístico; é uma barreira ao crescimento econômico e à inclusão social. O preço das passagens, por sua vez, representa outro muro que separa o direito de ir e vir daqueles que possuem maior poder aquisitivo. O transporte aéreo não pode ser privilégio de poucos, mas um serviço essencial, especialmente em regiões distantes e estratégicas como a nossa.

É hora de o Governo do Estado assumir sua responsabilidade e pressionar as companhias aéreas a ampliarem a malha. Audiência pública não pode ser apenas um ritual político para inglês ver. Precisa se transformar em cobrança efetiva, com definição clara de prazos e metas.

Vitória da Conquista merece voos diretos e diários para Salvador. Não é favor, é direito. O isolamento aéreo não pode continuar sendo mais um capítulo da negligência estatal. O desenvolvimento regional passa pelos céus, e nossa cidade não pode ficar no chão.