
(Padre Carlos)
A política baiana volta a ferver. Quatro anos atrás, Rui Costa tentou ocupar a vaga de Otto Alencar no Senado. Não conseguiu porque Otto tem um capital político raro: articulação nacional e respaldo de aliados poderosos. Agora, em 2026, a história ganha um novo capítulo.
Rui, atual ministro da Casa Civil, desconversa quando questionado sobre disputar o governo da Bahia. Na prática, essa postura revela mais do que esconde: Rui não nega, não descarta e deixa o jogo em aberto. Ao lado dele, Jerônimo Rodrigues, que foi seu sucessor natural, afirma com convicção que será candidato à reeleição. A colisão de discursos expõe um embate que, por enquanto, é velado, mas que pode virar uma crise aberta dentro do PT baiano.
O dilema é claro: se Rui tentar impor seu nome, corre o risco de rachar a base que sustenta o grupo petista no estado há quase duas décadas. Se Jerônimo resistir, poderá emergir como um líder autônomo, capaz de escrever sua própria história e não apenas ser a continuidade de Rui.
Essa disputa, se confirmada, será um divisor de águas. A Bahia se tornará palco de um duelo interno que pode influenciar diretamente o projeto nacional do presidente Lula, já que Rui é peça-chave em Brasília. O PT terá que escolher entre o peso de um ministro com força no Planalto e a necessidade de consolidar um governador em exercício.
O silêncio estratégico de Rui e a firmeza de Jerônimo alimentam uma pergunta que ecoa em Salvador e Brasília: até onde vai a ambição de Rui Costa e até onde Jerônimo está disposto a resistir?
O futuro da política baiana, mais uma vez, passa pela disputa entre padrinho e afilhado.




