
Hoje recebi, com profundo pesar, a notícia da partida de um grande companheiro: Célio Maranhão. Militante da fundação do Partido dos Trabalhadores, ele não foi apenas um quadro político — foi presença viva, incansável, quase mítica na história de nossa militância. O homem que “tinha a loja do PT nas costas”, que carregava bandeiras, panfletos e sonhos, que caminhava com o corpo e com a alma, mesmo quando a idade já pedia descanso.
Célio Maranhão era desses raros militantes que não precisavam de títulos, cargos ou holofotes para marcar sua existência. Ele se bastava com aquilo que poucos hoje conseguem sustentar: convicção, entrega e fé inabalável no poder transformador da luta coletiva. Era ele quem, em tempos duros e solitários, mantinha vivo o calor do movimento estudantil, lembrando que a juventude não é apenas uma questão de idade, mas sobretudo de espírito.
Foi ao lado dele que tive a honra de dividir a coordenação da campanha de Zezéu Ribeiro, em 1990, para deputado estadual. Ali percebi, de perto, a dimensão do companheiro: não era só a logística, não era só o folheto entregue, não era só a estrelinha vendida. Era a esperança que Sélio Maranhão levava consigo. Uma esperança que contagiava e deixava em cada militante, em cada estudante, em cada trabalhador, a certeza de que o PT não era apenas um partido, mas um projeto de país.
Hoje, quando Célio parte, sinto que não se vai apenas um amigo, mas uma parte da nossa própria geração. Daqueles que acreditaram no impossível, que levantaram bandeiras em ruas vazias, que não recuaram diante do escárnio ou da repressão. Vai com ele um pedaço da nossa história, mas fica entre nós o compromisso de não deixar sua memória se perder.
O Partido dos Trabalhadores e os movimentos de esquerda devem muito a esse militante. Deve a lembrança viva de quem fez mais do que discursos: fez caminhada, fez entrega, fez resistência. Que a esquerda brasileira não feche os olhos, que saiba honrar homens como Célio Maranhão — homens que, mesmo sem manchetes, ergueram a base sobre a qual seguimos de pé.
Vai em paz, amigo. O sonho e o ideal que você carregava no peito continuará brilhando em nós. O melhor de você não parte: permanece na lembrança, no exemplo e na esperança que deixou plantada em cada um de nós.




