
Quando Brasília se prepara para mais uma batalha política, desta vez o palco não é o plenário do Congresso, mas uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A CPMI do INSS surge como o mais novo campo de guerra entre governo e oposição, com ares de arena eleitoral antecipada e combustível suficiente para incendiar o debate público até as eleições de 2026.
O enredo é explosivo: a descoberta de desvios bilionários em aposentadorias e pensões, revelados por operações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, abriu espaço para uma investigação parlamentar que, em vez de buscar consensos, já começa em clima de confronto. Os protagonistas? O relator Alfredo Gaspar e o presidente Carlos Viana, ambos eleitos com forte mobilização da bancada bolsonarista, que comemorou a derrota do governo na disputa pelo comando da comissão.
Não é difícil prever o tom: de um lado, a oposição tenta desgastar a imagem de Lula, ainda fortalecida pelo discurso de defesa da soberania nacional frente a ataques externos e críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Do outro, governistas se preparam para contra-atacar, lembrando que as primeiras denúncias de descontos ilegais remontam ao governo Bolsonaro. O pano de fundo? O julgamento do ex-presidente no STF, marcado para setembro, e a corrida eleitoral que já dá sinais de largada.
Mais de 700 requerimentos já foram apresentados antes mesmo da primeira sessão, que acontece amanhã. O excesso de convites e convocações indica que cada depoente será uma oportunidade para ataques e contra-ataques, e não apenas para esclarecer os fatos. A CPMI, nesse contexto, corre o risco de se tornar mais um palco de espetáculo político do que um instrumento de fiscalização.
O governo, por sua vez, tenta reorganizar as tropas após perder espaço na comissão. A falha de articulação foi reconhecida por líderes como Randolfe Rodrigues, Lindbergh Farias e José Guimarães. Agora, a ordem é clara: conter danos e expor as fragilidades da gestão Bolsonaro, usando o histórico do próprio ex-presidente como munição.
No fim, a CPMI do INSS será menos sobre aposentados e mais sobre poder. Cada depoimento, cada documento, cada manchete será transformada em peça de guerra. Para o eleitor, resta a tarefa de separar fatos de narrativas em meio à tempestade de informações que promete sacudir Brasília.




