
(Padre Carlos)
Em tempos de crise política, quando setores inteiros do país parecem sucumbir à tentação de se protegerem com muros de privilégios e blindagens institucionais, é reconfortante ver a postura de líderes que ainda sabem o valor da República e da responsabilidade pública. O senador Otto Alencar é um desses nomes que merecem ser destacados.
Na Comissão de Constituição e Justiça, Otto já antecipou sua posição contra a famigerada “PEC da Blindagem”, que tenta criar uma espécie de escudo para parlamentares — sejam federais, estaduais ou até vereadores —, tornando investigações dependentes da autorização das próprias casas legislativas. Um verdadeiro absurdo, um retrocesso que flerta com a impunidade e desrespeita frontalmente a Constituição.
A fala de Otto é cristalina, firme e republicana: “Se chegar na CCJ, eu vou derrubar essa possibilidade de blindagem. Isso é um absurdo. É uma falta de cerimônia de respeito com o povo baiano, o povo brasileiro.” Não se trata apenas de uma posição técnica, mas de uma afirmação moral e ética que coloca o interesse público acima da conveniência corporativa.
Num país ferido por escândalos de corrupção, onde a confiança da sociedade nas instituições ainda é frágil, gestos como esse têm um peso imenso. Eles sinalizam que nem todos os parlamentares compactuam com manobras que distorcem a democracia. Pelo contrário, Otto demonstra que liderança verdadeira é aquela que enfrenta pressões, que fala em nome da coletividade e que age como guardião dos princípios republicanos.
A sua trajetória política sempre esteve marcada por independência, diálogo e firmeza. Não é à toa que ele conquistou respeito dentro e fora da Bahia. No Senado, mostra que não teme expor suas convicções, mesmo quando isso significa contrariar interesses poderosos. Essa coragem cívica é o que diferencia um político comum de um verdadeiro líder.
Enquanto parte da classe política ainda insiste em criar atalhos para escapar da lei, Otto Alencar reafirma algo essencial: ninguém pode estar acima da Justiça, muito menos aqueles que receberam a missão de legislar em nome do povo. Ao assumir esse compromisso público, ele honra não apenas seu mandato, mas a própria ideia de República.
O Brasil precisa de políticos assim: firmes, responsáveis e comprometidos com a democracia. Porque liderança não é se esconder atrás de privilégios, mas expor-se em defesa daquilo que é certo, mesmo que custe caro. Otto, nesse sentido, já deixou claro de que lado da história deseja estar — e é exatamente desse lado que a sociedade espera ver seus representantes.




