Política e Resenha

ARTIGO – O Pragmatismo que Contamina a Política Brasileira

 

(Padre Carlos)

O pragmatismo tomou conta da política brasileira. Por muito tempo, a esquerda apontou o dedo contra o chamado “pragmatismo do centrão”, acusando-o de fisiologismo, oportunismo e falta de coerência ideológica. Entretanto, o que se vê hoje é que esse mesmo pragmatismo está entranhado também nas práticas da própria esquerda.

Quando não se exige de seus quadros uma certidão de boas antecedentes, quando se abre mão de princípios em nome de alianças momentâneas, o discurso de moralidade e transformação social perde força. É sintomático observar que, atualmente, existem mais prefeitos e deputados que já apoiaram Jair Bolsonaro do que aqueles ligados à chamada esquerda “raiz”.

Durante vinte anos, a estratégia de cooptação do carlismo — velha escola de poder político na Bahia — foi tolerada e até aplaudida como forma de expansão. Mas o que se percebe, passadas duas décadas, é que o comportamento entre quem antes criticava e quem antes era criticado se tornou bastante semelhante.

O pragmatismo, que deveria ser apenas uma ferramenta tática e ocasional, acabou se transformando em essência do fazer político brasileiro. O resultado é uma democracia esvaziada de convicções, onde as alianças se sustentam mais pelo cálculo eleitoral do que pela coerência ideológica.