
Vivemos tempos em que o silêncio, muitas vezes, não é um convite à paz, mas um eco ensurdecedor de nossas próprias angústias. Quando o sistema ao nosso redor parece falhar, e o peso das circunstâncias nos sufoca, somos levados a um confronto íntimo e, por vezes, doloroso com nós mesmos. É nesse vácuo de respostas externas que a verdadeira introspecção se faz necessária, um mergulho profundo em nossa própria essência para discernir quem, de fato, permanece fiel a nós e aos nossos valores.
Recentemente, fui tocado pelas palavras do Padre Fábio de Melo, que em um de seus poemas, visualiza Deus sentado à beira do fogão, um retrato singelo e poderoso da presença divina em nossas vidas cotidianas. Essa imagem me fez refletir sobre a necessidade urgente de olharmos para dentro, de analisarmos com honestidade quem são aqueles que verdadeiramente se mantêm ao nosso lado, em lealdade e apoio incondicional. Pois é na adversidade que a verdadeira natureza das relações se revela.
Neste cenário de desafios, elevo uma prece ao Deus Supremo: que Ele não me permita cair na armadilha da autocomiseração. A ideia de sentir pena de mim mesmo é aterradora. Se chegar o dia em que eu olhe para minha própria jornada com piedade, prefiro que Ele me recolha a Seus braços. Um homem que se compadece de si mesmo, que se vitimiza diante das dificuldades, abdica de sua força interior e, consequentemente, de sua capacidade de contribuir para o bem-estar coletivo. Ele se torna indigno de viver em sociedade, pois a sociedade floresce com indivíduos resilientes, proativos e capazes de superar obstáculos, não com aqueles que se afogam em suas próprias lamentações.
É em momentos como este que a natureza nos oferece lições preciosas. As águas que emanam do manancial do Rio Santa Rita, hoje um tesouro em nosso Parque Ambiental da Lagoa das Bateias, são um convite à reflexão. Ao contemplar a pureza e a força dessas águas que correm incessantemente, somos lembrados da pureza que Deus nos oferece diariamente. Precisamos aprender a “respirar” essa pureza, a absorver a serenidade e a clareza que a natureza nos proporciona. Que a imagem desse manancial nos inspire a encontrar dentro de nós a mesma constância, a mesma capacidade de renovação e a mesma pureza de intenção.
Que possamos, a partir dessa contemplação, redescobrir nossa própria força, reafirmar nossos valores e nos comprometer com a construção de um futuro onde a resiliência e a compaixão – por nós mesmos e pelos outros – sejam os pilares de nossa jornada.
Lucas Batista




