(Padre Carlos)
Até quando o Brasil vai tolerar a cumplicidade vergonhosa do Partido Liberal (PL) com Eduardo Bolsonaro? Até quando um partido que se alimenta com milhões de reais do fundo eleitoral — dinheiro público arrancado do suor de cada cidadão — seguirá servindo de escudo para um deputado que age deliberadamente contra os interesses nacionais, mesmo vivendo fora do país?
A nomeação de Eduardo Bolsonaro como líder da minoria na Câmara dos Deputados é mais do que uma manobra política; é um tapa no rosto da democracia. Um parlamentar que se esconde nos Estados Unidos, vivendo confortavelmente no exterior, ousa ameaçar as instituições brasileiras com o aval de seu partido. É crime de lesa-pátria, e o PL, ao invés de se distanciar dessa conduta criminosa, se coloca de joelhos, servindo como cúmplice.
Nas redes sociais, Eduardo não apenas comemorou a blindagem que recebeu de sua legenda, como também disparou novas ameaças contra o Brasil. Com arrogância, declarou que apenas uma “anistia ampla, geral e irrestrita” ao seu pai seria capaz de pacificar o país. Do contrário, segundo ele, o Brasil mergulhará em uma crise prolongada. Essa é a linguagem de quem não respeita a Constituição, mas sim a chantagem.
A pergunta que ecoa é simples e direta: como um partido que se diz democrático pode bancar esse tipo de afronta? O PL não está apenas apoiando Eduardo Bolsonaro; está sendo cúmplice de um ataque sistemático à democracia brasileira. Está normalizando a chantagem, o desprezo às instituições e a subversão da ordem constitucional.
O que resta à sociedade? Assistir, de braços cruzados, a um partido bilionário de fundo público ser transformado em balcão de negócios pessoais da família Bolsonaro? Não. É preciso dizer basta. É preciso cobrar da Justiça Eleitoral, do Ministério Público e do Congresso Nacional uma resposta firme. A democracia não pode ser refém de um deputado ausente e de um partido que trai sua função pública.
Se o PL se curva diante de Eduardo Bolsonaro, cabe ao povo brasileiro não se curvar diante desse escárnio. Tolerar essa cumplicidade é abrir a porta para a destruição daquilo que conquistamos a duras penas: a democracia, a soberania e a esperança de um país que não será governado pela chantagem de um exilado voluntário.
O PL e Eduardo Bolsonaro transformaram a política brasileira em palco de ameaça e cumplicidade. Agora, cabe ao Brasil decidir se vai continuar tolerando esse conluio ou se, finalmente, vai erguer a voz contra a traição.





