
Assistir ao pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tribuna da ONU nesta semana foi mais do que um ato de política internacional. Foi testemunhar a reverberação de uma liderança que, ao longo de décadas, construiu-se não apenas no campo da economia ou da administração pública, mas sobretudo na dimensão simbólica da dignidade humana.
As palavras de Lula sobre a soberania do Brasil , a luta pela democracia e a defesa das suas instituições, além é claro da fome e sobre a paz ecoaram como grito de urgência, lembrando ao mundo que o Brasil, um país marcado por desigualdades profundas, já mostrou ser capaz de criar políticas que tiraram milhões da miséria. O que impressionou, mais do que o conteúdo em si, foi a reação: representantes de vários países aplaudiram de pé, sinalizando que, em tempos de lideranças frágeis e discursos ocos, a palavra do presidente brasileiro ainda encontra ressonância global.
Nesse instante, lembrei-me da homenagem feita a Lula em Paris, pela prefeita Anne Hidalgo. Foi mais do que um tributo diplomático: foi um reconhecimento emocionado de que a trajetória do ex-metalúrgico se transformou em lenda política. Suas palavras foram um retrato daquilo que muitos brasileiros e estrangeiros percebem, mas poucos têm a coragem de dizer com clareza: Lula é, de fato, uma lenda viva.
A prefeita não poupou adjetivos ao destacar a coragem e o humanismo que marcaram a trajetória de Lula. Relembrou seu compromisso com os pobres, os sem-terra, os esquecidos da história. Sublinhou o esforço titânico de um homem que ousou dar voz aos que não tinham voz. E o fez com a força do coração, construindo um partido e uma base social capazes de encarnar a esperança de milhões.
O ponto mais simbólico de sua fala talvez tenha sido a declaração de amor: “Paris o ama.” Naquele dia, as cores do Brasil iluminaram a Torre Eiffel. Na ONU, dias atrás, foi o próprio mundo que acendeu seus olhos diante da contundência de um discurso que remete ao passado de luta e projeta o futuro de esperança.
Em tempos de desinformação e narrativas tóxicas, o impacto da fala de Lula na ONU e as palavras da prefeita de Paris se unem em um mesmo sentido: lembrar que a política, quando feita com compromisso humano, ultrapassa fronteiras. E que, gostemos ou não, Lula continua sendo uma referência histórica, capaz de mobilizar afetos, despertar resistências e reafirmar que a coragem, quando movida pela justiça, pode ser mais forte do que qualquer adversidade.




