Política e Resenha

ARTIGO – Lula, a ONU e o Reconhecimento da História (Padre Carlos)

 

 

 

Assistir ao pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tribuna da ONU nesta semana foi mais do que um ato de política internacional. Foi testemunhar a reverberação de uma liderança que, ao longo de décadas, construiu-se não apenas no campo da economia ou da administração pública, mas sobretudo na dimensão simbólica da dignidade humana.

As palavras de Lula sobre a soberania do Brasil , a luta pela democracia e a defesa das suas instituições, além é claro da  fome e sobre a paz ecoaram como grito de urgência, lembrando ao mundo que o Brasil, um país marcado por desigualdades profundas, já mostrou ser capaz de criar políticas que tiraram milhões da miséria. O que impressionou, mais do que o conteúdo em si, foi a reação: representantes de vários países aplaudiram de pé, sinalizando que, em tempos de lideranças frágeis e discursos ocos, a palavra do presidente brasileiro ainda encontra ressonância global.

Nesse instante, lembrei-me da homenagem feita a Lula em Paris, pela prefeita Anne Hidalgo. Foi mais do que um tributo diplomático: foi um reconhecimento emocionado de que a trajetória do ex-metalúrgico se transformou em lenda política. Suas palavras foram um retrato daquilo que muitos brasileiros e estrangeiros percebem, mas poucos têm a coragem de dizer com clareza: Lula é, de fato, uma lenda viva.

A prefeita não poupou adjetivos ao destacar a coragem e o humanismo que marcaram a trajetória de Lula. Relembrou seu compromisso com os pobres, os sem-terra, os esquecidos da história. Sublinhou o esforço titânico de um homem que ousou dar voz aos que não tinham voz. E o fez com a força do coração, construindo um partido e uma base social capazes de encarnar a esperança de milhões.

O ponto mais simbólico de sua fala talvez tenha sido a declaração de amor: “Paris o ama.” Naquele dia, as cores do Brasil iluminaram a Torre Eiffel. Na ONU, dias atrás, foi o próprio mundo que acendeu seus olhos diante da contundência de um discurso que remete ao passado de luta e projeta o futuro de esperança.

Em tempos de desinformação e narrativas tóxicas, o impacto da fala de Lula na ONU e as palavras da prefeita de Paris se unem em um mesmo sentido: lembrar que a política, quando feita com compromisso humano, ultrapassa fronteiras. E que, gostemos ou não, Lula continua sendo uma referência histórica, capaz de mobilizar afetos, despertar resistências e reafirmar que a coragem, quando movida pela justiça, pode ser mais forte do que qualquer adversidade.