
Por Padre Carlos
Jair Bolsonaro está em modo desespero. É assim que podemos descrever o ex-presidente diante da iminência de perder o apoio internacional que tanto tentou cultivar. A relação com Donald Trump, que parecia ser o grande trunfo da estratégia bolsonarista, começa a ruir. O erro de cálculo político é evidente e, no afã de encontrar culpados, Bolsonaro voltou suas críticas ao próprio filho, Eduardo, acusado de atrapalhar as costuras para um acordo de redução de penas aos condenados do 8 de janeiro, conforme revelou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
A verdade é que Bolsonaro sempre teve dois caminhos: a via da moderação, recomendada por advogados, ou a do enfrentamento, apoiada por figuras como Paulo Figueiredo e endossada pela expectativa de suporte dos norte-americanos. Apostou no confronto, mas o resultado foi desastroso. Trabalhar contra a própria pátria soou como traição, e a consequência foi o fortalecimento político de Lula, a resistência inabalável do STF e a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão – sendo pelo menos sete em regime fechado.
O grande baque, no entanto, foi perceber que Trump tem química com Lula – ou melhor, com os interesses econômicos que o Brasil representa nos Estados Unidos. Pouco antes de se encontrar com o presidente brasileiro na ONU, Trump recebeu Joesley Batista, empresário da JBS, responsável por 100 mil empregos nos EUA e importante doador republicano. O recado foi simples: sem aliviar tarifas para a carne brasileira, o hambúrguer americano ficaria mais caro, com impacto direto na inflação. E aí, por que continuar defendendo Jair?
Em Brasília, o cenário é igualmente sombrio. O projeto da docimetria empaca. O STF e o Planalto não veem vantagem em atender a Bolsonaro, e o Centrão segue calculando votos com frieza matemática. O ex-presidente começa a entender que, se conseguir apenas a prisão domiciliar, já será uma vitória. Os próximos dias serão decisivos não apenas para o destino de Bolsonaro, mas para o fôlego do bolsonarismo como movimento político.




