(Padre Carlos)
A violência é um dos maiores desafios do Brasil, mas na Bahia ela ganhou contornos ainda mais dramáticos. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 revela um dado estarrecedor: das dez cidades mais violentas do país, mais da metade está em território baiano. Isso não é um detalhe estatístico, é um alerta vermelho sobre o futuro do estado.
Os números expõem a gravidade:
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10º lugar no Brasil – Eunápolis (BA): com 70,4 mortes violentas por 100 mil habitantes, a cidade do extremo sul, conhecida como portal para o turismo, convive com a força do tráfico de drogas e a disputa de facções que transformam sua rotina em permanente estado de alerta.
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7º lugar no Brasil – Juazeiro (BA): às margens do São Francisco, registrou 74,4 mortes por 100 mil habitantes. Apesar do potencial da fruticultura irrigada, enfrenta desigualdade social e carência de serviços básicos que alimentam o avanço da criminalidade organizada.
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6º lugar no Brasil – Feira de Santana (BA): o maior entroncamento rodoviário do Nordeste, com 74,5 mortes por 100 mil habitantes, tornou-se corredor estratégico do tráfico. Com mais de 600 mil habitantes, sua urbanização caótica e a ausência do Estado em bairros periféricos criaram territórios férteis para facções criminosas.
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5º lugar no Brasil – Simões Filho (BA): a apenas alguns quilômetros de Salvador, tem 75,9 mortes por 100 mil habitantes. Crescimento desordenado, periferias sem infraestrutura e forte influência do crime organizado fazem da cidade uma das mais perigosas do país.
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3º lugar no Brasil – Jequié (BA): conhecida como “Cidade Sol”, amarga 84,4 mortes por 100 mil habitantes. A violência virou parte da rotina, com bairros inteiros dominados pelo tráfico, serviços públicos precários e uma população refém do medo.
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2º lugar no Brasil – Camaçari (BA): mesmo sendo um polo industrial de relevância nacional, registrou 90,6 mortes por 100 mil habitantes. O contraste é gritante: riqueza de um lado, periferias abandonadas do outro. Nesse vazio, o crime se fortalece e controla territórios.
Esses números revelam mais do que estatísticas: retratam vidas interrompidas, comunidades dilaceradas e uma população que aprendeu a viver entre grades e rotinas de autoproteção.
É fundamental frisar: a violência na Bahia não pode ser reduzida à disputa entre direita e esquerda. O estado é governado há vinte anos por um mesmo grupo político. Se fosse apenas uma questão de narrativas ideológicas, já teríamos soluções. Mas o que se vê é a repetição de uma realidade marcada por medo, desigualdade e ausência do Estado em áreas periféricas.
O que falta não é discurso, mas investimento público estruturado em educação de qualidade, geração de empregos, urbanização planejada e saúde eficiente. Sem atacar as raízes sociais da violência, nenhuma política de segurança — por mais ostensiva que seja — terá resultados duradouros.
A Bahia é terra de cultura, riqueza natural e potencial econômico imenso. Mas se não enfrentar de frente a desigualdade que alimenta o crime, continuará figurando nas páginas policiais do Brasil como sinônimo de violência.
Este não é um debate ideológico. É uma questão de sobrevivência. E, sobretudo, de futuro.





