Política e Resenha

Vitória da Conquista dá exemplo com campanha integrada de saúde da mulher

 

 

O mês de outubro, tradicionalmente marcado pelo laço cor-de-rosa, símbolo da luta contra o câncer de mama, ganha em Vitória da Conquista um tom ainda mais vibrante: o verde. A campanha Outubro Rosa e Verde, lançada oficialmente pela Prefeitura da Zona Oeste, é uma demonstração clara de que a saúde pública precisa ser entendida de forma integral, olhando não apenas para a prevenção do câncer de mama, mas também para o enfrentamento da sífilis — uma doença silenciosa e ainda presente em nosso cotidiano.

O evento trouxe à tona uma verdade incontornável: cuidar da saúde não é luxo, é direito humano. A oferta de serviços como mamografias, exames de glicemia, aferição de pressão, testagem rápida de HIV e sífilis, vacinação e até mesmo o acolhimento com massagem, orientação jurídica e cuidados estéticos mostrou que saúde vai além de protocolos médicos. Ela envolve bem-estar, autoestima, segurança emocional e o reconhecimento da dignidade de cada mulher.

As falas de moradoras como Noélia Alves e Tatiane Sousa são mais eloquentes do que qualquer discurso político. Elas revelam a realidade de quem enfrenta barreiras diárias para ter acesso ao básico. Quando a cidade promove ações que aproximam os serviços da população, reduz-se não apenas a distância geográfica, mas também o abismo social que muitas vezes separa os direitos do cidadão de sua efetivação prática.

O destaque do evento não ficou restrito à mobilização local. A entrega do Selo UNFPA Bahia 2025, concedido pelo Fundo de População das Nações Unidas, colocou Vitória da Conquista no mapa das boas práticas em saúde e direitos humanos. Sete projetos da cidade foram reconhecidos, comprovando que quando há investimento, planejamento e integração entre diferentes secretarias, os resultados se traduzem em políticas públicas eficazes.

A prefeita Sheila Lemos foi categórica ao reafirmar: “O câncer identificado no início tem um alto percentual de cura”. Uma frase simples, mas que deveria ecoar em cada lar conquistense. Não se trata apenas de uma estatística; trata-se de vidas preservadas, de famílias inteiras poupadas da dor de perder uma mãe, uma filha ou uma irmã para uma doença que poderia ter sido prevenida ou tratada a tempo.

A subsecretária de Saúde, Kalilly Lemos, e a secretária de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira, reforçaram o recado central: prevenção é autocuidado, e autocuidado é poder. Conhecer o corpo, realizar exames, quebrar tabus e exigir acesso ao sistema de saúde é um ato de coragem e também de cidadania.

No fim, o Outubro Rosa e Verde não é apenas uma campanha sazonal. É um convite à reflexão coletiva: que cidade queremos ser? Uma cidade onde mulheres esperam meses por uma mamografia, ou uma cidade que abre espaço para a prevenção, a dignidade e a vida plena?

Vitória da Conquista, ao abraçar esta causa, mostra que pode ser referência. E que cuidar da saúde da mulher é, ao mesmo tempo, cuidar do futuro da sociedade.

(Padre Carlos)