
(Padre Carlos)
Há um ditado popular que deveria servir de bússola para muitos caciques políticos: “divagar que o santo é de barro”. No cenário da política baiana, essa máxima ganha contornos ainda mais atuais quando observamos a relação entre o governo do PT, liderado por Jerônimo Rodrigues, e seus aliados históricos.
Quando Rui Costa tentou “passar o trator” e abocanhar para si a vaga no Senado, ficou evidente a ilusão de que o poder seria uma propriedade privada. Esqueceu-se de que a Bahia não é latifúndio eleitoral de um único partido, mas sim um condomínio político onde as chaves do poder são compartilhadas e o espaço deve ser respeitado.
A recente reunião entre os nove deputados estaduais do PSD, o senador Otto Alencar e o governador Jerônimo é prova concreta disso. Ali, longe das câmeras, o jogo político se revelou: deputados levaram demandas, apresentaram reivindicações, e Otto reforçou que o compromisso do PSD é com a governabilidade – mas não com a subserviência. Política, afinal, é feita de acordos, não de imposições.
O encontro deixou claro que o PT precisa compreender os limites de sua hegemonia. Jerônimo, por mais que goze da força da máquina estadual, sabe que não governa sozinho. Dependerá do PSD, de seus parlamentares e da capacidade de articulação que Otto Alencar há anos representa na política baiana. É nesse equilíbrio, nesse fio delicado, que o governo poderá avançar.
“Divagar que o santo é de barro” significa reconhecer que nenhum projeto político é eterno e que, se não houver diálogo, respeito e partilha, o mesmo barro que molda o santo pode se desfazer na primeira tempestade. A política da Bahia está ensinando isso, mais uma vez.




