Política e Resenha

ARTIGO – O Caso Binho Galinha e a Urgência de Enfrentar o Crime na Bahia

 

(Padre Carlos)

O episódio envolvendo o nome de Binho Galinha, apontado como líder de organização criminosa e agora citado nos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia, escancara uma realidade incômoda: vivemos em um estado campeão em violência, com a maioria das dez cidades mais violentas do país. Esse não é um título que a Bahia deveria carregar, mas um fardo que clama por respostas urgentes e responsáveis.

Não podemos naturalizar a expansão do crime para além das ruas e vielas. Se antes a violência era problema de segurança pública, hoje ela ameaça corroer os alicerces da política, da democracia e das instituições. A pergunta que ecoa é inevitável: será que o crime já avançou para outros espaços de poder, para além da AL-BA? O risco é real, e ignorar esse cenário seria uma grave omissão histórica.

A Assembleia Legislativa da Bahia tem agora um dever moral e institucional. Precisa encarar de forma séria e exemplar a presença de qualquer indício de ligação entre o crime organizado e o ambiente político. Não basta discursos protocolares, é preciso medidas concretas, investigações profundas e transparência total. A sociedade baiana exige respostas, porque não podemos deixar que os tentáculos do crime transformem a política em território refém de interesses obscuros.

A Bahia, com sua força cultural, com sua gente trabalhadora e sua história de resistência, não pode se conformar em ser manchete pelas taxas de homicídio e pela infiltração do crime nos espaços de decisão. É preciso recuperar o controle, reafirmar a autoridade do Estado e, sobretudo, proteger a democracia.

O caso Binho Galinha deve ser um marco. Não apenas mais um escândalo noticiado, mas o ponto de virada em que a Bahia decide não ser governada pelo medo, nem dominada por organizações criminosas. A AL-BA tem diante de si a oportunidade — e a responsabilidade — de dar o exemplo. Se falhar, o preço será pago por todos nós.