Política e Resenha

REPORTAGEM – Bahia acende alerta para intoxicação por metanol após morte em Feira de Santana

 

(Por Padre Carlos)

A morte de um homem de 56 anos, em Feira de Santana, reacendeu na Bahia um alerta que remete a um dos episódios mais graves de saúde pública já vividos no estado: a intoxicação por metanol. Embora a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) ressalte que ainda não há casos confirmados, a suspeita de ingestão de bebida adulterada colocou profissionais de saúde e autoridades em prontidão.

Histórico que preocupa

O risco não é novo. Em 1999, a Bahia viveu um dos maiores surtos do país: 35 mortes confirmadas e cerca de 400 pessoas intoxicadas em dez municípios, consequência direta da comercialização de bebidas clandestinas com metanol. Agora, em 2025, o Brasil já soma 128 casos suspeitos e pelo menos seis mortes confirmadas em estados como Pernambuco e São Paulo.

Especialistas alertam que a tragédia pode se repetir se não houver medidas rápidas e efetivas de fiscalização. O metanol, usado na indústria química, é altamente tóxico para o consumo humano. Pequenas doses podem levar à cegueira irreversível e até à morte.

Sinais de intoxicação

As unidades de saúde da Bahia foram orientadas a ficar atentas a sintomas característicos:

  • visão turva ou perda de visão;
  • dor de cabeça intensa;
  • náuseas, vômitos e dores abdominais;
  • sudorese excessiva;
  • confusão mental ou sonolência.

“É fundamental que a população procure atendimento médico imediato ao menor sinal de suspeita”, alerta um médico toxicologista ouvido pela reportagem.

Reação nas cidades

Em Barreiras, comerciantes de bares e distribuidoras reforçaram o diálogo com os clientes, garantindo a procedência das bebidas. A prefeitura lançou uma campanha educativa para orientar sobre os riscos. Consumidores, por sua vez, se mostram desconfiados. “A gente fica com medo, porque não dá para saber só olhando se a bebida é segura”, relatou uma moradora da região.

Como identificar bebidas suspeitas

Autoridades sanitárias reforçam que alguns sinais podem indicar adulteração:

  • preço muito abaixo do mercado;
  • rótulos mal impressos ou sem registro oficial;
  • embalagens sem lacre ou com sinais de violação;
  • cheiro ou sabor incomum.

Um problema nacional

A escalada dos casos não é apenas uma preocupação baiana, mas um desafio nacional. O metanol, ao circular em bebidas clandestinas, atravessa fronteiras estaduais e se transforma em um risco coletivo. A Anvisa e o Ministério da Agricultura intensificaram operações de fiscalização, mas especialistas lembram que o consumo consciente e a denúncia da população são armas essenciais contra a proliferação do problema.

Enquanto a morte em Feira de Santana segue em investigação, o alerta já foi aceso: a saúde pública não pode dar espaço à reincidência de uma tragédia anunciada.