
Há falas na tribuna que passam despercebidas; outras, no entanto, marcam pela coerência, firmeza e senso de responsabilidade pública. A fala da vereadora Viviane, nesta quarta-feira, foi dessas que merecem atenção — não apenas pelo conteúdo, mas pelo tom equilibrado entre a crítica, o reconhecimento e o chamado à verdade dos fatos.
A parlamentar iniciou sua intervenção cumprimentando os presentes e destacando a audiência pública em homenagem ao Dia do Contador, um gesto de respeito à categoria que sustenta a transparência e a responsabilidade fiscal tanto no setor público quanto no privado. Num tempo em que o país debate reforma tributária e justiça fiscal, o tema abordado — com a presença de docentes, discentes e profissionais da contabilidade — foi oportuno e necessário. O reconhecimento a figuras como Valdemir Dias, autor da lei que instituiu o Dia Municipal do Contador, reforça o valor da memória política e do trabalho coletivo.
Mas o tom da fala de Viviane se elevou ao abordar a vitória histórica dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, após a aprovação da PEC 14/2021, que garante aposentadoria especial à categoria. Ela trouxe o tema para o chão da realidade conquistense, cobrando da Prefeitura o chamamento dos aprovados no último concurso — um gesto de empatia com trabalhadores que aguardam há anos para servir à cidade. Essa cobrança não é mero discurso: é uma reivindicação de justiça e eficiência administrativa. Afinal, áreas descobertas em saúde básica são feridas abertas em qualquer sistema público.
Viviane também fez um necessário resgate histórico ao defender o programa Minha Casa, Minha Vida, relembrando que, durante seis anos, o país ficou sem uma única unidade habitacional construída, fruto da descontinuidade imposta após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. É um ponto que incomoda alguns, mas que revela a verdade nua e crua: políticas públicas não sobrevivem a rupturas políticas quando a prioridade é o palanque, e não o povo.
Ao afirmar que a cobrança por novas moradias deve ser dirigida ao passado recente, e não ao atual governo, Viviane recoloca o debate na linha do tempo correta — algo raro em tempos de narrativas curtas e memórias seletivas.
Por fim, sua posição contrária à taxa de iluminação pública (COOPIE) foi clara e coerente. Mesmo ausente da sessão anterior por motivo justificado — uma aula de doutorado —, a vereadora reafirmou sua posição política e denunciou a manipulação de informações em redes sociais. Ao acionar o jurídico e registrar boletim de ocorrência, Viviane não apenas defende sua imagem, mas também defende um princípio essencial: a internet não é terra sem lei.
A fala da vereadora é um lembrete de que o mandato público exige coragem, coerência e compromisso. Viviane demonstrou que a política pode, sim, ser feita com firmeza e respeito. Em tempos de ruído, sua voz soou como um instrumento de clareza.
Padre Carlos




