Política e Resenha

Por um adeus responsável: o que fazer quando um animal morre?

 

Por Padre Carlos

Há dores que silenciam o corpo e apertam a alma. A morte de um animal de estimação é uma dessas perdas que nos lembram o quanto o amor não precisa de palavras para ser verdadeiro. Quem já sentiu o olhar de confiança de um cão ou o ronronar calmo de um gato sabe: eles não são apenas “bichos”, são presenças — às vezes, o único afeto constante em dias difíceis.

Mas o amor, quando é autêntico, também se manifesta no adeus. E é aqui que nossa responsabilidade se revela. Quando um animal morre, o modo como lidamos com seu corpo não é um detalhe técnico, mas um ato ético. Enterrar no quintal, jogar no lixo ou abandonar em terrenos baldios não é apenas falta de cuidado — é um gesto que agride a memória do animal e põe em risco o meio ambiente e a saúde pública.

A veterinária Carla Caroline lembra que cada caso exige um manejo adequado. Se o falecimento ocorre em uma clínica, a equipe já possui os meios para preparar o corpo e oferecer opções de enterro ou cremação. Já quando a morte acontece em casa, o tutor deve procurar uma clínica veterinária para receber orientação, jamais descartando o corpo em locais inadequados.

Há ainda a questão dos animais de rua, aqueles invisíveis que, mesmo sem um lar, também merecem dignidade no fim. Nesses casos, como explica Janildo Barbosa, da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) de Campina Grande, é essencial acionar o órgão público responsável pela coleta. O serviço, além de prevenir riscos sanitários, garante que aquele pequeno corpo seja tratado com respeito.

Porque o corpo de um animal, ainda que sem vida, continua sendo matéria de cuidado. O abandono de carcaças em vias públicas pode disseminar doenças como raiva, leptospirose e leishmaniose. O simples ato de recolher corretamente, avisar às autoridades e não tocar no animal encontrado já é uma forma de amor comunitário — um gesto civilizatório.

Fala-se tanto em humanidade, mas talvez ela se revele de forma mais sincera na maneira como tratamos os que não têm voz. A ética ambiental começa no quintal, nas ruas, nos pequenos gestos. E dizer adeus a um companheiro de quatro patas não é só uma despedida: é um compromisso com a vida, mesmo depois da morte.

Que cada um de nós aprenda a transformar o luto em respeito — porque cuidar do corpo que um dia nos deu alegria é, também, continuar amando.