Política e Resenha

ARTIGO – A Força Serena de Ivana Bastos: Liderança Feminina e Responsabilidade Política na AL-BA

 

 

 

(Padre Carlos)

Confesso aos senhores: a gestão da deputada Ivana Bastos (PSD) à frente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) tem me surpreendido — e muito. Não por Ivana ser mulher, mas pela forma competente, serena e firme com que tem conduzido uma das casas políticas mais complexas do estado. Em um ambiente historicamente dominado por homens — um verdadeiro “clube do bolinha” —, Ivana Bastos vem mostrando que liderança não tem gênero, tem conteúdo e compromisso.

Desde que assumiu o comando da AL-BA, Ivana tem demonstrado que o equilíbrio entre firmeza e diálogo é a chave para se manter de pé em meio aos ventos fortes que sopram da política baiana. E sua postura diante do caso do deputado Binho Galinha (PRD) é um exemplo notável dessa maturidade institucional.

Em tempos de populismo e de discursos inflamados, Ivana optou pelo caminho da responsabilidade e do respeito às instituições. Ao afirmar que a Casa “cumpriu com muita responsabilidade” o papel no processo que envolveu a análise da prisão do deputado, ela marcou uma posição rara: a de quem entende o peso do cargo e a liturgia do poder.

A decisão da AL-BA de encaminhar o resultado ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) encerra uma etapa importante — e Ivana fez questão de deixar claro que, da parte do Legislativo, tudo foi feito dentro da legalidade e da ética pública. Disse ela:

“Já foi publicado aqui, já foi encaminhado para o Tribunal de Justiça. Agora, da parte da Assembleia Legislativa, ela foi cumprida com muita responsabilidade.”

Essa frase simples revela uma compreensão profunda daquilo que falta a muitos políticos: a noção de limite institucional. O Legislativo tem sua parte, o Judiciário a sua. Não há sobreposição, há equilíbrio — e Ivana soube conduzir esse equilíbrio com maestria.

A Construção da Liderança

A liderança de Ivana Bastos não nasceu do acaso. Ela vem de anos de militância, de diálogo com prefeitos, vereadores e lideranças do interior baiano. Seu nome é associado à política municipalista, aquela que entende que o poder deve servir às cidades e não se perder nos corredores de Salvador.

Ao chegar à presidência da AL-BA, Ivana trouxe essa visão conciliadora e prática. Em vez de se deixar levar por disputas internas ou vaidades políticas, ela impôs o ritmo da sensatez, conduzindo os debates com equilíbrio e dando voz às diferentes correntes que formam a base do governo Jerônimo Rodrigues.

Um Novo Capítulo Feminino na Política Baiana

A presença de Ivana Bastos no comando da AL-BA é também um marco simbólico. Não é apenas a ocupação de um cargo por uma mulher, mas a redefinição do que é poder com sensibilidade. Em um tempo em que o discurso feminista é muitas vezes usado de forma superficial, Ivana dá um exemplo prático e concreto: competência e firmeza são as melhores respostas ao preconceito silencioso que ainda resiste nos bastidores da política.

O Cenário Nacional e o Equilíbrio das Alianças

Quando questionada sobre as declarações da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que apontou a Bahia como um “caso específico” na formação de alianças, Ivana respondeu com a mesma serenidade que tem marcado sua gestão. Demonstrou confiança na capacidade da base governista de encontrar consenso e seguir unida em torno de um projeto político comum.

Essa confiança não é ingenuidade. É fruto da leitura política de quem entende que a Bahia, com seu peso histórico e eleitoral, precisa de união e diálogo, e não de cisões ou disputas internas.

Conclusão

O que Ivana Bastos está mostrando à Bahia — e talvez ao Brasil — é que governar é, acima de tudo, exercer a liderança com responsabilidade e humanidade. No meio do turbilhão político, ela se firma como uma voz equilibrada, que honra o cargo que ocupa e fortalece as instituições democráticas.

Num tempo em que muitos confundem poder com espetáculo, Ivana Bastos nos lembra que o verdadeiro poder é o de construir pontes e manter de pé as estruturas do Estado.

Se a política baiana souber ler os sinais, perceberá que, no comando sereno de uma mulher, há uma lição poderosa:

a autoridade nasce do respeito — e o respeito, da coerência.