Política e Resenha

ARTIGO – Pacta Sunt Servanda: O Recado de Otto para o PT da Bahia

 

 

(Padre Carlos)

Há frases que atravessam o tempo como flechas lançadas da alma. Quando o senador Otto Alencar evocou sua aula de latim, lembrando o velho mestre Padre João Diniz, ele não falava apenas de uma língua morta — falava de princípios vivos, que sustentam a honra e a ética na política. “Pacta sunt servanda”, disse ele, como quem abre um compêndio de moral pública: os pactos devem ser cumpridos.

A frase, aparentemente inocente, soou como um trovão nos corredores do poder baiano. Otto, com sua conhecida sobriedade e ironia elegante, parecia enviar um recado — não apenas filosófico, mas político. “Dicto et facto”: dito e feito. Em tempos de promessas quebradas, de alianças rasgadas ao sabor dos ventos eleitorais, essa máxima romana ressoa como uma cobrança moral: quem dá a palavra deve sustentá-la, mesmo que o fardo seja pesado.

Não é segredo que o PT da Bahia vive um momento de tensão interna. A convivência com aliados históricos, como o PSD de Otto, tem sido marcada por desconfortos e gestos dúbios. A disputa por espaços e candidaturas na chapa majoritaria para o senado nas eleições  de 2026 começou antes da hora — e, ao que tudo indica, a lealdade anda em baixa.

Quando Otto fala em “carregar o fardo mais pesado da vida”, ele se refere à responsabilidade de manter a palavra dada mesmo sob pressão, mesmo quando o cálculo político sugere o contrário. É um gesto de integridade, mas também uma provocação velada a quem, dentro da base, parece esquecer os compromissos firmados em nome de um projeto coletivo.

A política, ensina o senador, não se faz apenas com discursos — mas com fidelidade aos acordos e respeito aos parceiros. A aula de latim, portanto, não foi uma lembrança nostálgica, mas um ato simbólico. Foi a maneira sutil — e profundamente baiana — de dizer que ética e coerência ainda são valores indispensáveis, mesmo em meio ao pragmatismo que domina o tabuleiro eleitoral.

Pacta sunt servanda”: os pactos devem ser cumpridos.
Talvez essa seja a lição que Otto quis deixar não apenas para o PT, mas para toda a política baiana — e, por que não, para o Brasil inteiro. Num tempo em que a palavra parece ter perdido o peso e a honra virou moeda de troca, lembrar o latim é quase um ato de resistência.

Afinal, a boa política, como a boa gramática, exige concordância.