por Padre Carlos
Há amores que não se repetem, apenas permanecem — silenciosos, como quem ainda mora em algum corredor da memória. O amor da infância é assim: não envelhece, não se apaga, apenas muda de voz.
Ele vive dentro da gente como um retrato guardado entre páginas antigas. Às vezes, basta um perfume leve, uma música que o tempo esqueceu de apagar, e ele volta — não como saudade, mas como presença. Porque o primeiro amor não parte: ele se esconde.
Não importa quantos anos se tenham passado, quantos rostos novos tenham cruzado o caminho. Há algo naquele olhar puro, desarmado, que o coração não quis desaprender. Foi ali que ele descobriu, pela primeira vez, o que é querer o bem de alguém, sem pedir nada em troca.
Hoje, quando o mundo pesa e o amor parece sempre condicionado, é ali que a alma volta — àquele tempo em que amar era apenas sentir, sem precisar entender.
E talvez seja isso o que permanece: a lembrança de quando o amor era simples, sincero, e inteiro.
O primeiro nome que demos ao sentimento.
A primeira vez que o coração, ainda menino, aprendeu a bater diferente — e nunca mais desaprendeu.
É por isso que escrevo.
É por isso que coloco minha pena nestes versos —
porque certas memórias não pedem voz, pedem eternidade.
E só a palavra tem o poder de guardar aquilo que o tempo não consegue levar.






