
(Padre Carlos)
Há vidas que não aparecem nos jornais, mas sem as quais os dias da cidade não se completariam. São rostos conhecidos apenas nos corredores das repartições, nas rotinas silenciosas dos gabinetes, nas tarefas que fazem o cotidiano funcionar. A servidora Eva de Oliveira Machado, que nos deixou neste domingo (26/10/2025), pertenceu a esse Brasil que serve, muitas vezes sem ser visto, mas cuja presença dá sentido à palavra “público”.
Durante 42 anos, Eva fez do seu trabalho na Câmara Municipal de Vitória da Conquista uma extensão do próprio coração. Zelo, competência e compromisso foram marcas que moldaram sua trajetória. Não buscava aplausos, tampouco recompensas; bastava-lhe o dever cumprido, o respeito dos colegas e a paz de saber que contribuía, todos os dias, para o funcionamento da casa do povo.
Em tempos de tanto descrédito com as instituições, a história de Eva é um lembrete do valor humano que sustenta o serviço público. Atrás de cada documento protocolado, de cada atendimento prestado, existe alguém que oferece parte da sua vida em nome da coletividade. E, no caso dela, havia também um coração generoso: sem filhos biológicos, acolheu sobrinhos como filhos, deixando um legado de amor e ternura.
Sua partida entristece não apenas os colegas de trabalho, mas toda uma cidade que, talvez sem perceber, foi beneficiada pela sua dedicação silenciosa. O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, expressou esse sentimento ao lembrar da amizade e da entrega de Dona Eva — símbolo de uma geração de servidores que acreditava que servir é mais do que um emprego: é uma vocação.
Que o descanso eterno lhe seja leve, Dona Eva. Que o céu a receba como se recebe uma trabalhadora fiel, que cumpriu sua missão com dignidade e bondade. E que o seu exemplo inspire novos servidores — para que o serviço público volte a ser reconhecido, não por seus erros, mas pela grandeza discreta de pessoas como você, que fizeram do trabalho um ato de amor à comunidade.




